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Afetos

Eu teria sido uma ótima madrasta... Jamais teria me colocado entre o homem que eu amasse e seus filhos, independentemente de quem fosse a mãe... Jamais teria permitido que aos filhos do homem que eu amasse faltassem atenção, carinho, apoio, amizade, companheirismo ou o que quer que fosse da parte do pai... Sei do que falo, então jamais teria permitido que lhes apertassem os pés os sapatos que apertaram os meus e do meu irmão...Falta de afeto adoece, não seria eu a contribuir para o adoecimento dos filhos do homem que eu amasse. Digo isso porque ando às volta com um caso de adoecimento emocional na família... Não é pouca coisa! E tem história aí... Há indícios de que é necessário haver pré-disposição para que certas doenças se desenvolvam, e há indícios de que elas podem nunca se desenvolver se não surgirem as condições propícias... Não me sinto à vontade para entrar em detalhes  a respeito... Não aqui. Não no momento.  Mas, me lembro bem das minhas aulas sobre Spinoza... O cor...

Dor

Ao escrever, sempre menciono Nietzsche aqui e ali. Sem dúvida, li mais os seus textos e, nos últimos anos, estive mais envolvida com reflexões acerca de seu pensamento. Porém, na verdade, não posso afirmar que ele seja meu filósofo preferido. Nietzsche divide esse posto com Spinoza. Estudei Spinoza no primeiro semestre de 2010. Confesso que não me lembro dos detalhes do que aprendi na época. Me lembro do essencial e do impacto que exerceu sobre mim. Tudo começou quando ouvi a frase “o corpo é memorioso”. Significa que tudo o que é vivido não é guardado apenas pela mente e sim pela totalidade do corpo físico. Entendo que o corpo, sendo uma configuração de energias, também é um complexo físico-químico que converte energias em um sistema formado por órgãos que se relacionam entre si. Tudo o que o corpo vive, imerso no meio ambiente e no contexto social, o impacta em sua totalidade e o transforma. Daí que o passado está presente no corpo hoje.  Assim, eu sou, hoje e sempre, a soma de t...