[ Texto publicado originalmente em 11 de Agosto de 2016 ] Viver em senso comum significa acrediar em falso e verdadeiro. Falso como aquilo que é mentira; verdadeiro como aquilo que é irrefutável, inegável, irrecusável, parâmetro absoluto para a justiça. Dói aceitar que a verdade, frequentemente, é inalcansável para muitos ou para todos. Não ser possível apoiar-se em qualquer verdade é aterrorizante, é estar a um passo do abismo. E talvez porque ninguém gosta de sentir dor ou terror, pelo menos não os ditos "normais", se continue insistindo em verdades incontrariáveis que libertam. "Ela não pedalou"! Como é possível que tantos não aceitem que "ela não pedalou"?! Então se continua repetindo que ela não pedalou... Uma, duas, três vezes, um milhão de vezes... A verdade nem sempre liberta. Muitas vezes a verdade aprisiona. A verdade, nestes dias de século XXI, é sempre interpretação. Não é irrecusável, não pode ser irrefutável. Pelo uso das palavras é possíve...
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