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Mostrando postagens com o rótulo Política

A Verdade Que Não Liberta

[ Texto publicado originalmente em 11 de Agosto de 2016 ] Viver em senso comum significa acrediar em falso e verdadeiro. Falso como aquilo que é mentira; verdadeiro como aquilo que é irrefutável, inegável, irrecusável, parâmetro absoluto para a justiça. Dói aceitar que a verdade, frequentemente, é inalcansável para muitos ou para todos. Não ser possível apoiar-se em qualquer verdade é aterrorizante, é estar a um passo do abismo. E talvez porque ninguém gosta de sentir dor ou terror, pelo menos não os ditos "normais", se continue insistindo em verdades incontrariáveis que libertam. "Ela não pedalou"! Como é possível que tantos não aceitem que "ela não pedalou"?! Então se continua repetindo que ela não pedalou... Uma, duas, três vezes, um milhão de vezes... A verdade nem sempre liberta. Muitas vezes a verdade aprisiona.   A verdade, nestes dias de século XXI, é sempre interpretação. Não é irrecusável, não pode ser irrefutável. Pelo uso das palavras é possíve...

Por que sou a favor do impeachment

[ Publicado originalmente em 31 de Março de 2016 ] Sabidamente, os ambientes de construção do conhecimento são palco de divergências e disputas. Um dos poucos consensos alcançados pelo pensamento ocidental no século XX (ou quase isso) é que cada ser humano é um sistema biológico, integrado por corpo e mente, que se desenvolve em ambiente social, no contato com uma cultura historicamente construída. Daí, que como corpo e mente, a manutenção da vida pede a satisfação de necessidades fisiológicas e subjetivas. Todo ser vivo, de alguma forma, percebe a necessidade de alimentar-se; de abrigar-se do frio, do calor, da chuva e do sol; de dar e receber afeto; de viver com dignidade e respeito; de realizar plenamente suas potencialidades. Isso explica o que levava Rosa Luxemburgo – militante radical de esquerda, assassinada no início do século XX durante as lutas políticas que antecederam a ascensão do nazismo na Alemanha – a manter inabalável a sua fé nos movimentos de massa. Para ela “massa”...

O Dia Depois de Amanhã

[ Publicado originalmente em 28 de Maio de 2016 ] Passados alguns dias do afastamento da Presidenta Dilma e mergulhado o país numa onda de retrocesso político misturada com indignação crescente, embora difusa, me pergunto se devo me arrepender da minha escolha de preferir o impeachment. Preferir, no meu entender, não implica necessariamente fazer campanha para, apoiar golpistas ou não golpistas, participar de panelaço ou de qualquer manifestação coletiva e sim, simplesmente... Preferir! De qualquer forma, ao preferir e ver a minha preferência começar a ser concretizada é preciso ter e manter para mim, muito claramente, quais os motivos da minha preferência. Que não me confundam! São os MEUS motivos, bem fundamentados na realidade que eu percebo, e não os motivos de golpistas (ou não golpistas). E os meus motivos, já foram deixados claros na minha primeira manifestação a respeito : eu acredito que o governo petista esgotou-se e que as instituições governamentais estão viciadas e falidas...

Ousadias

Talvez a questão já não seja se claustros serão novamente necessários ou não... E sim para quem os claustros são desejáveis ou não... Um quesito que sempre me incomoda nas teorias é a pretensão à totalidade... A realidade não é homogêna, ela comporta excessões... Há aqueles que precisam da contemplação serena, enquanto outros se sentem melhor nos redemoinhos... E um não é melhor do que o outro. As produções de ambos se complementam! Cena 1: um senhor diz que na época de sua infância as residências eram cuidadosamente arrumadas, enfeitadas, bem cuidadas. Toalhinhas de crochê cobrindo os moveis, cortinas com rendas e babados, tapetes felpudos, paredes coloridas, plantas e flores, quadros, objetos de arte. Hoje, não há nada disso. Predominam o clean, o minimalismo. Cena 2: uma senhora diz que antigamente as mulheres eram obrigadas a ficar em casa. Não se sujeitavam a receber ordens de homens em locais de trabalho. Então, elas cuidadavam de suas residências, em seus mínimos detalhes, com m...

Seguindo a Vida

Na pista da polêmica envolvendo Jojo Todynho e sua fatídica live de adesão à extrema direita, me propus a escrever a respeito. O que a princípio me pareceu fácil de fazer – escrever uma análise do comportamento do “pobre de direita” – acabou se revelando um problema de difícil solução. Não posso ser leviana de escrever com base no meu “achômetro” meramente, nem me sinto à vontade com a mera aplicação de teorias prontas e conclusões padronizadas, como quem veste um manequim com roupas apertadas. Há elementos importantes envolvidos e paradoxos talvez insolúveis. Conclusão: o que era para ser um texto se tornou uma linha de pesquisa e deve gerar alguns ensaios/artigos a serem publicados lá no Transhumanizando. Por outro lado, estamos há uma semana da votação do primeiro turno das eleições municipais, o que também significa que estamos no final da primeira metade do governo Lula. Há dois anos o brasileiro estava apreensivo, entre conseguir salvar um futuro minimamente equilibrado, ou vê-lo...

Dez Fatos Chocantes Sobre os EUA

O texto já é um pouco antigo, mas continua interessante. Foi escrito por  António Santos, professor de Língua Portuguesa em Massachussetts (EUA)  e publicado pelo Diário Liberdade em 14.07.2012. Maior população prisional do mundo, pobreza infantil acima dos 22%, nenhum subsídio de maternidade, graves carências no acesso à saúde... bem-vindos ao "paraíso americano". 1 - Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos 1 está pres o. A subir em flecha desde os os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: À medida que o negócio das prisões privadas alastra como gangrena, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são também na prática donos de escravos, que trabalham nas fábricas no interior prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Est...

O Futuro em Construção

Por: Helena Novais A Oficina Para Inclusão Digital é um evento que ocorre anualmente, desde 2001, com o objetivo de promover o diálogo entre agentes públicos e população atuante em espaços que oferecem acesso à tecnologia da informação, privilegiando o debate sobre a configuração atual das políticas de inclusão digital no Brasil e formulação de novas diretrizes. Em novembro último aconteceu a décima primeira edição da OID, desta feita na cidade de Porto Alegre, de 27 a 29 de novembro.  Até então organizado pelo Governo Federal, em 2012 o evento foi coordenado por representantes da sociedade civil e passou a chamar-se Oficina para Inclusão Digital e Participação Social. Convidada a participar pelo Ministério da Cultura, a Rede de Educação Cidadã (Recid) enviou um representante de cada macroregião do país e eu fui enviada como representante da Sudeste.  Em situações como esta, os representantes assumem o compromisso de relatar sua experiência aos demais membros ...

A Guerra que Você Não Vê

John Pilger é um exemplar jornalista investigativo. Já produziu diversas reportagens históricas, e agora se dedica a produzir documentários que denunciam as verdadeiras causas das guerras modernas. Confira aqui na íntegra uma obra prima sua, “The War You Don’t See“, com legendas em português.  O tema principal deste documentário é mostrar como os jornalismo se torna funcional em justificar o injustificável. Da mesma forma com que o filme “Inside Job” denunciou o relacionamento insidioso entre economistas acadêmicos e a crise atual nos EUA, Pilger mostra o estreito relacionamento entre jornalistas, canais de televisão e aqueles que perpetuam os conflitos globais. Não há guerra sem propaganda. .

A Pulga que Incomoda

Por Selvino Heck,  Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República e Coordenador Geral da Rede de Educação Cidadã (Recid) A pulga, esse animal minúsculo que a gente quase não vê, incomoda, e muito, quando está debaixo da roupa. A gente sente algo deslizando de leve, não sabe bem o que é. Escapa rente à pele e ao tecido, circula, fazendo coceira, nos pelos da perna ou se emaranha nos cabelos. Pula que só, corre que nem se vê, escapa dos dedos igual sabonete liso no banho, como sapo que pula no meio do banhado e desaparece.  Lembrei da pulga incômoda no VIII Encontro Macro Norte da Rede de Educação Cidadã (RECID), de 23 a 28 de novembro, em Rio Branco, Acre, com participação de 60 educadoras/es populares e lideranças socais de todos os estados do Norte. O tema central era: “Pela Unidade da Educação popular e das Bandeiras de Lutas na Amazônia”, com o sub-tema: “Transformação social é possível com educação popular para uma outra Amazônia”....