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Mostrando postagens com o rótulo heavy metal

Entre Mundos - 2024, Parte II

"...uma vez que você está dentro, você nunca mais sai...  Você é da família para sempre." - Blackie Lawless. Na manhã do dia sete de dezembro, Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden, comunicou via Instagram, que o show da banda, previsto para acontecer naquela noite em São Paulo, seria sua despedida dos palcos...  Que Nicko se afastaria das turnês era uma possibilidade em aberto, devido a problemas de saúde. Com 72 anos, 42 de banda, ele passou por um AVC há um ano e teve que fazer muita fisioterapia para conseguir voltar a tocar. A decisão de parar não chegou a surpreender, mas comoveu... E fez passar um filme pela minha cabeça, o filme da minha própria vida. No início dos anos 80, uma menina que um dia fui entrava na adolescência quando foi fisgada pela indústria cultural... Estava em curso a Nova Era do Heavy Metal Britânico e fui engolfado por ela. É que a imprensa musical tinha algo que eu precisava, sintetizado em um produto denominado "banda de heavy metal...

Transitando

Se algoritmos pensassem eles me achariam um caso bem atípico... "Como assim essa sujeita  passa os dias ouvindo k-pop e as noites ouvindo trash metal, ou vice versa???"... E gostando demais dos dois estilos, o que é melhor ainda! Bem "minha cara", como sempre foi!  Me lembrando do Professor Ramon Garcia Fernandez, Coordenador do Curso A História do Rock, da UFABC... Trabalhamos juntos nesse curso em 2019, época em que eu, como monitora, organizei vários pocket shows no campus de Santo André e filmava as apresentações com os recursos profissionais da universidade... O Professor Ramon, pessoa excelente, me parabenizou por eu gostar de The Cars (a banda new wave dos anos 80) e me dispor a dar aula sobre Black Metal (rs).  Fiz a tal aula no dia do meu aniverário e, inclusive, foi gravada.  Linkando aqui esse "Live in Sweden, Gothenburg, 28.06.2024", por carinho e admiração aos Cavalera. Lendas do Metal brasileiro! Linda demais a família que eles formam! E Max...

Eu e Ela, a Música

  Não sei escrever sobre música. Na verdade, ela me intimida, faz com que eu me sinta uma incompetente, de uma incapacidade insuperável diante do inexprimível… Acho, mesmo, que a música é uma coisa majestosa e algo para o qual eu não quero ter explicações, porque decifrá-la integralmente seria desnudar o perfeito tirando-lhe o encanto à medida que se descobre seus segredos. Um sacrilégio! Não houve uma época em que ela não estivesse presente na minha vida. Da vitrolinha ao radinho de pilha quando criança, me lembro dos sucessos populares dos anos 70. Abba, Nazareth, Suzy Quatro, Elvis Presley, Genesis, Beatles, John Lennon, tantos outros… O vínculo definitivo entre eu e ela se firmou na adolescência, nos anos 80, época em que a New Wave of British Heavy Metal chegava ao Brasil. Mas, não só o Heavy Metal ganhou minha adesão. Vários estilos se desenvolveram naqueles anos, como o Hard Rock, o New Romantic, o Tecnopop… A música clássica também me ganhou na época. Ouvi muito Mozart, pri...

Cinzas

Enquanto os livros são minha porta de saída de mundos desinteressantes para universos surpreendentes, a música sempre foi e sempre será minha fonte de força e equilíbrio. Eu transito entre livros e música, desde sempre.  Desde que foi anunciado o falecimento de Alexi Laiho, no início de janeiro, o universo do heavy metal assiste a uma briga mesquinha e vergonhosa entre suas duas esposas. Enquanto a primeira e oficial compartilhava suas fotos e memória, a última companheira passou a hostilizá-la e difamá-la nas redes sociais e nos canais de mídia. Como se não bastasse, até o funeral se tornou motivo de disputa e agora estão brigando para decidir quem vai enterrar as cinzas. Enquanto isso, os fãs de heavy metal, que são muito apegados a seus "heróis", assistem a essa disputa insana.  Depois das acusações feitas no  Ilta-Sanomat , que a família quer exibir como se fosse um troféu (embora a questão não se resuma a isso), perdi a paciência e me vi lembrado as senhoras envolvid...

Alexi Laiho

(08 de abril de 1979 - dezembro de 2020) Meu primeiro contato com a arte desse finlandês foi em fins da década de 90. Cheguei a ouvir o Sinergy (1997-2004), quando a banda estava nos seus primeiros dias, por meio de fita K-7, gravada por algum amigo... Na época, quem me chamou a atenção primeiro foi a Kimberly Goss, a vocalista que passava longe do estereótipo da "roqueira gostosa". Uma garota com traços orientais, meio acima do peso, voz poderosa, cheia de atitude e nada apelativa, sexualmente falando. A Kim agia naturalmente e era parte da turma dos rapazes, como eu mesma me esforçava para ser. Não havia conotação sexual em primeiro lugar, e sim grandes amizades num momento da vida em que tudo é novidade e a existência parece ser uma aventura sem fim. A Kim acabou se tornando a primeira esposa do Alexi e, ao que parece, uma amiga para a vida toda, embora tenham se separado mais tarde.  Com o Children of Bodom (1993-2019) tomei contato pouco depois do Sinergy. COB foi fundad...

Andre

Andre Matos…  Se até ontem pela manhã alguém tivesse me perguntado se Andre Matos tinha sido importante para a minha vida eu teria achado essa pergunta muito estranha e dito um “ué, não, pq ele teria sido importante pra mim?”, e acreditaria estar sendo sincera… Mas, ninguém perguntou e a resposta chegou antes da pergunta…  Certa vez, eu estava saindo de uma loja, quando olhei para frente e vi um carro subindo a calçada e vindo à toda na minha direção. Havia um poste entre ele e eu, então ele atropelou o poste e não a mim… Ontem não houve poste… O celular vibrou, fui olhar e fiquei olhando, chocada e repentinamente atropelada por um fluxo de imagens que desfilavam apenas na minha mente… Andrezinho, loirinho, abrindo show do Platina com o Viper no Teatro Mambembe… Andre com Viper abrindo comício do Celso Barbieri na Praça da Sé, enquanto a estrutura do palco ainda era montada… Andre em show no Parque da Água Funda… Andre na Galeria do Rock, na Woodstock, chegando com o Rafael no...

Até Que a Luz Nos Leve

O sonho de qualquer filósofo (que eu acho que se preza) é viver num Estado de esclarecimento. A figura da antiga Ágora grega, onde todos discutiam os destinos da cidade, é um modelo e uma utopia no horizonte. Mas, admito que não tenho notícias de que tais condições de livre busca pelo conhecimento tenham existido em outro lugar que não naquele espaço privilegiado, naquele momento privilegiado da história da humanidade. O normal é que haja uma elite que detenha o conhecimento e uma massa de ignorantes impressionáveis, influenciáveis, que se contenta com pão e circo. Neste contexto, nascer do povo e tornar-se parte de uma elite de intelectuais é exceção à regra. Entenda-se: "elite intelectual" não implica necessariamente ter diploma, mas fazer-se herdeiro da herança cultural dos nossos antepassados e, como certa vez ouvi de um professor, tornar-se um gigante por "subir nos ombros de gigantes" e com autenticidade. Cada vez mais acredito que a formação de homens diferen...

Metal Nacional: Crises do Heavy Metal Brasileiro, um esboço

Nos últimos dias ganharam relevo duas discussões: o mensalão do PT; a situação do Heavy Metal brasileiro. E é curioso observar como duas coisas, aparentemente tão distintas, em essência são iguais. O Heavy Metal brasileiro sofreu ao menos dois golpes fatais. O primeiro aconteceu em meados dos anos 80 quando, recém instalado no Brasil por efeito da Nova Onda de Heavy Metal Britânico, foi atropelado pela maior emissora de televisão do país. Por ocasião do primeiro Rock ‘n’ Rio, a Rede Globo se deparou com um fenômeno novo e, para seus jornalistas, incompreensível. Na urgência de fazer a cobertura do festival, passaram a transmitir imagens de adolescentes em bandos, gritando loucamente, não dizendo coisa com coisa, e logo os batizou como “metaleiros”. A imagem que ficou para a população foi esta mesma, de adolescentes loucos, descontrolados, cabeludos bêbados/drogados, alienados e irresponsáveis, que ouviam uma música barulhenta cujas letras não entendiam. Ocorre que as imagens eram de mo...

Black Metal

Não raro, as “melhores” famílias têm suas ovelhas negras. Fosse o Heavy Metal uma família respeitável, eu diria que o Black Metal é o filho problema. Criança esta que eu rejeitei no nascimento. Me lembro das primeiras vezes que vi Venom, a banda precursora do estilo, em vídeo, na Woodstock. Foi rejeição instantânea, em parte por preconceitos meus, de fundo religioso. Fã de Heavy Metal, eu não me achava exatamente uma católica radical. Porém, a agressão visual e sonora do Venom não combinava com uma formação cristã, por mais remota que fosse. Além da ostentação de símbolos pagãos, a defesa do satanismo e da violência, a musicalidade me era incompreensível. Vocais berrados, rasgados ou guturais, baterias à velocidade da luz, guitarras com timbre de serra elétrica... Me parecia uma coisa mórbida e de extremo mal gosto. Seria cômico se não me parecesse tão trágico. Não quis saber daquilo. Me interessava uma sonoridade mais tradicional ou com pegada progressiva, ou hard, ou no máximo o powe...