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Mostrando postagens com o rótulo Psicanálise

Stalker: o caso Kawara Welch

A artista plástica Kawara Welch, de Ituiutaba (MG), teria conhecido um médico psiquiatra em 2018, época em que procurava por tratamento para uma depressão. À certa altura, acreditando que ambos estavam em um relacionamento e encontrando divergência por parte do médico, ela teria passado a persegui-lo virtualmente e presencialmente e, também a seu filho e esposa... Com esta última, inclusive teria, entrando em confronto físico... Kawara teria chegado ao extremo de enviar ao médico 1,3 mil mensagens e feito 500 ligações telefônicas em um mesmo dia! São muitas as questões que me chamam a atenção, além das particularidades do comportamento da suposta perseguidora. Digo "suposta" porque é ético usar a palavra ao se referir às partes de processo em aberto. Em primeiro lugar, porque a grande mídia lança o rosto de Kawara às feras, em praça pública, enquanto o médico não é identificado? A resposta óbvia é que ela é a infratora, não ele. A prática de perseguir sistematicamente alguém ...

Dor

Ao escrever, sempre menciono Nietzsche aqui e ali. Sem dúvida, li mais os seus textos e, nos últimos anos, estive mais envolvida com reflexões acerca de seu pensamento. Porém, na verdade, não posso afirmar que ele seja meu filósofo preferido. Nietzsche divide esse posto com Spinoza. Estudei Spinoza no primeiro semestre de 2010. Confesso que não me lembro dos detalhes do que aprendi na época. Me lembro do essencial e do impacto que exerceu sobre mim. Tudo começou quando ouvi a frase “o corpo é memorioso”. Significa que tudo o que é vivido não é guardado apenas pela mente e sim pela totalidade do corpo físico. Entendo que o corpo, sendo uma configuração de energias, também é um complexo físico-químico que converte energias em um sistema formado por órgãos que se relacionam entre si. Tudo o que o corpo vive, imerso no meio ambiente e no contexto social, o impacta em sua totalidade e o transforma. Daí que o passado está presente no corpo hoje.  Assim, eu sou, hoje e sempre, a soma de t...

Estereotipia: 9 ½ Semanas de Amor

“Nove e Meia Semanas de Amor” foi produzido em 1986. Esteve em cartaz na cidade de São Paulo, no antigo Belas Artes, por longos quatro anos. Marcou época quando eu ainda era jovem demais para compreendê-lo. O texto abaixo é parte de um artigo escrito brilhantemente pela Maria Rita Kehl em 1990.  Minha lembrança adiantada para o próximo dia 8, o Dia Internacional das Mulheres. O texto é da Maria Rita Kehl. KEHL, Maria Rita.  Nove e Meia Semanas de Amor . In: O Cinema dos Anos 80. São Paulo: Brasiliense, 1991, pp. 207-224.  “A eficiência de Kim Basinger nesse filme é que o conjunto de clichês que ela adota para compor sua personagem consegue criar uma espécie de mulher idealizada ali onde não há mulher alguma. Além de linda, Lizz é uma colagem maneirista de sinais de pura feminilidade. Um excesso de boquinhas, mãozinhas no rosto, pezinhos espevitados, olhares encobertos por mechazinhas de cabelo, suspirinhos, sobressaltos, ataquezinhos de fúria, gritinhos ...

Maria Rita Kehl

O Jornal Brasil de Fato, período 22 a 28 de dezembro traz uma entrevista com a psicanalista Maria Rita Kehl. Ela nos conta suas impressões sobre o atual cenário da sociedade brasileira.  Pessoalmente, gosto muito da postura do intelectual que toma a busca pela compreensão como seu vértice. O tipo de estudioso que não se posiciona como socialista ou liberal, como religioso ou ateu, mas privilegia a isenção das observações, a neutralidade, tanto quanto possível. O resultado de suas reflexões é sempre uma análise mais amplas dos fatos. Cito alguns trechos da entrevista:  “(...) temos que ver que o individualismo tem suas vantagens (...) Por exemplo, o individualismo que tem a ver com liberalismo eu acho que traz ganhos mesmo na sociedade pós-capitalista (...) Nós, que somos mulheres, sabemos os ganhos que tivemos com o individualismo. Que cada um possa escolher seus destinos, que cada um possa fazer suas opções sexuais, decidir se vai formar família ou não, que se pos...