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Mostrando postagens com o rótulo Divagações

Confiar, Jamais - 2024, Parte IV

Pesquisas recentes do mercado editorial indicam que em 2024 houve uma "fuga de leitores"... No que me diz respeito, confere... Desde a minha adolescência, este foi o ano em que eu menos li. Conclui apenas 3 livros, e nenhum muito extenso.  Foi um ano em que precisei de informações pontuais e urgentes sobre coisas como interações entre medicamentos; efeitos colaterais; alimentos e chás que fazem o tratamento de sintomas x ou y; quais laboratórios oferecem produtos genéricos à base de substâncias farmacológicas específicas; farmácias de manipulação; quais suplementos podem ser encontrados onde e em que preços; o que dizem os protocolos de saúde; exames clínicos e por imagens; especialistas médicos, etc, etc... E viva o Google!  Na primeira metade do ano cuidei da Maya, na segunda metade precisei cuidar de mim. Meu amor não superou o ano, e eu quase que também não. Nos últimos dias de dezembro estive  (e estou) às v oltas com uma intoxicação por combinação concentrada de v ...

A Chave - 2024, Parte III

Hoje em dia é meio difícil um computador ou celular travar. Até há pouco tempo não era assim, e quando o PC empacava era necessário apertar o botão de reset para desbloquear e reiniciar a máquina... Essa é uma boa metáfora para explicar o que aconteceu comigo há seis meses... E, sentindo que meu cérebro tinha bugado e travado, pedi a ajuda de um psicólogo. Desde então, o que fizemos, eu e ele, foi trabalhar para reiniciar a "máquina" que sou eu... Semanas atrás senti que estava dando certo, pois algumas chaves giraram na minha cabeça e, pela primeira vez senti raiva completamente desvinculada de qualquer outro sentimento. Por anos estive "passando pano" para certos comportamentos de certas pessoas que realmente me fizeram muito mal... Tenho uma listinha, na verdade bem pequena, de pessoas que me fizeram muito mal até sem querer, talvez... Mas, elas, pessoas e listinha, passaram a nem importar mais. Senti raiva pura, por ter sido desrespeitada. Minha história de vida...

Entre Mundos - 2024, Parte II

"...uma vez que você está dentro, você nunca mais sai...  Você é da família para sempre." - Blackie Lawless. Na manhã do dia sete de dezembro, Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden, comunicou via Instagram, que o show da banda, previsto para acontecer naquela noite em São Paulo, seria sua despedida dos palcos...  Que Nicko se afastaria das turnês era uma possibilidade em aberto, devido a problemas de saúde. Com 72 anos, 42 de banda, ele passou por um AVC há um ano e teve que fazer muita fisioterapia para conseguir voltar a tocar. A decisão de parar não chegou a surpreender, mas comoveu... E fez passar um filme pela minha cabeça, o filme da minha própria vida. No início dos anos 80, uma menina que um dia fui entrava na adolescência quando foi fisgada pela indústria cultural... Estava em curso a Nova Era do Heavy Metal Britânico e fui engolfado por ela. É que a imprensa musical tinha algo que eu precisava, sintetizado em um produto denominado "banda de heavy metal...

Despertar

Como eu já contei em algum texto por aqui, comecei a trabalhar com 14 para 15 anos de idade. Meu primeiro emprego foi em uma imobiliária. O segundo foi em um escritório de assessoria de informações cadastrais para crédito. Depois trabalhei com faturamento, depois com contas a apagar e a receber e controle de fluxo de caixa, depois com organização de eventos esportivos... Até que comecei a trabalhar por conta própria e passei duas décadas fazendo pesquisas autônomas sobre temas relativos às ciências humanas, principalmente Administração, Comunicação, Marketing e Educação. Meu primeiro trabalho como gosthwriter foi sobre torcidas organizadas de futebol. Uma encomenda feita por um administrador que pensava em investir em sistemas de segurança contra os conflitos que aconteciam entre elas na época... Não foi o que eu escolhi, e sim o que a vida me trouxe e eu pude agarrar com as condições que eu tinha. E foi ótimo, porque foi o que me permitiu ler, estudar, aprender e pagar as contas, a pa...

Já é Tempo - 2024, I

2024 foi o ano em que eu perdi o amor da minha vida. Todo o resto fica nublado diante disso. A Maya adoeceu no primeiro semestre e partiu no início da noite de 24 de junho. Na nossa despedida, prometi que aprenderia a fazer das lembranças e da saudade a minha força. Não demorei a me dar conta de que não sabia como fazer isso… Até o fim me recusei a acreditar que era o fim... E me calei porque não acho que posso comunicar a dimensão da minha dor ou que alguém realmente possa compreender. Cada um sente do seu jeito.  Ter um serzinho para amar ao longo dos últimos dez anos aliviava as minhas mágoas e fez emergir a melhor versão de mim. Sem a minha companheirinha, minha filhotinha, perdi meu chão, me perdi. Precisei de ajuda para começar a superar o vazio e o desespero. Encontrei em um psicólogo, alguém que me ouve e realmente procura me entender. Nos últimos meses, ele tem me ajudado a mover as engrenagens da minha mente entorpecida. Aos poucos vou me dando conta da minha situação e r...

Sobre Desmerecimentos

Conversa de café da manhã... Eu falava sobre os altos preços que podem atingir obras de encadernação. São obras de arte que, com ajuda das redes sociais e ações para valorização do artista, podem atingir retornos financeiros significativos. Como resposta, ouvi que eu tenho conhecimentos e meios para "me dar muito bem", mas não acredito em mim mesma. Verdade! Eu não acredito em mim mesma e por isso não "me dou bem"... Quando escrevi o texto sobre Mark Fisher não foi meramente por simpatizar com uma teoria, e sim porque eu vivo isso. [Aliás, eu nunca escrevo meramente por simpatia a teorias] Li uma reportagem sobre uma encadernadora que está cobrando três mil reais por uma única encadernação. Ela diz que teve muita dificuldade para acreditar no valor do próprio trabalho. Sei bem como é isso e, no meu caso, tem antecedentes... Quando criança, ouvia da minha mãe que meu pai gostaria de ter tido um filho homem e que eu não servi para "segurar o meu pai em casa...

Sonho Recorrente

Na última madrugada sonhei que um homem, que realmente conheci anos atrás, ia periodicamente à minha casa, participar de discussões de análise da sociedade. Eu o via junto a outras pessoas, todos em uma sala, reunidos ao redor de uma mesa e, vez ou outra, assistindo a documentários e slides projetado em uma tela de TV. Eu não participava desses encontros, ele não sabia da minha ligação indireta. Ele não sabia que era a minha casa, nem que a mulher que recebia o grupo de estudos era a minha mãe. As imagens que eu via eram como recortes do tempo/espaço. Não sei como o tal grupo havia sido criado ou por iniciativa de quem, como aquele homem havia aderido e chegado ali. No fim, eu considerava se devia revelar a ele ou não que ele estava na minha casa, sendo recebido pela minha mãe… A ironia era a coincidência, que ele ignorava e eu não. Interessante como a minha mente juntou fragmentos e, no sono, me enviou um “filme” completo, tão lógico e coerente! O que de início impulsionou tal roteiro...

Dos Dilemas

Não sou uma pessoa impressionável. Muito pelo contrário! Aqueles a quem eu reverenciaria são bem poucos, talvez em número menor do que dos dedos de uma mão. Neil Gaiman é um deles, certamente! É meu escritor vivo de ficção preferido! Um sujeito fantástico, cujas obras vêm de encontro ao modo que mais me agrada encarar o mundo: na fronteira entre o real e a fantasia… E não foi que acessei meu Instagram e vi um pedido para seguir meu perfil de ningém mais, ninguém menos... O nome do perfil era o dele, e com a estrelinha de autenticação… Levei um susto, arregalei os olhos e disse para mim mesma “Meu Deeeeus, e agora? O que eu faço? Eu aceito, ou não???”... Me fiz de morta e fui almoçar para ganhar tempo antes de decidir o que fazer… Não me pareceu impossível que fosse o Gaiman, pois passei um tempo refutando haters no perfil dele dias atrás. Talvez ele tivesse lido alguma das minhas postagens e estivesse dando um aceno em retribuição. Afinal, por trás do artista famoso há apenas um ser hu...

Maya

Na noite passada sonhei com a Maya… No sonho, eu estava deitada na minha cama e sentia que ela subia e se enfiava por baixo das cobertas, tentando se acomodar junto ao meu corpo. Senti o calor do corpinho, a textura dos pelos, o movimento para se moldar ao meu corpo, como ela fez tantas e tantas vezes… Em vez de acolhê-la e abraçá-la, eu me assustei, me senti aterrorizada, me afastava apavorada … E acordei assustada, chorando … Afinal, porque me senti assim com relação ao ser que eu mais amo nesse universo? A Maya me deixou no dia 24 de junho… Um dia todo errado e cheio de horrores e, no fim dele, se impuseram uma tristeza imensa e um vazio desesperador, uma falta de sentidos que se transformou na dor física que não me deixa… Lutamos e perdemos, e cedo demais... Tenho me negado a falar sobre isso, pois não é algo que se esgote em poucas palavras ou em algumas linhas. E estou muito, muito longe de acomodar os acontecimentos na minha mente de modo tranquilo. O sonho foi um aviso do meu i...

Maya

Maya está comigo há quase 12 anos na percepção humana, ou 70 anos na biologia canina... Ela chegou em 2013 , com apenas 50 dias de vida. Desde de então, não houve um dia que eu não dissesse pra ela "Maynha, eu te amo!". E nunca foi da boca para fora. Sempre foi com consciência do privilégio que eu tinha e tenho de tê-la na minha vida.  Meu pacotinho de felicidade, minha alegria! O maior amor da minha vida! Presente da natureza feito de encomenda para mim! Ela é minha e eu sou dela, porque quando ela olha pra para mim com esses olhos arregalados eu sei que ela não vê nada mais além de mim, que me aceita com sou, e que sou o centro da vida dela como ela se tornou o centro do meu mundo... Ternura imensa pela minha companheirinha, melhor amiga, minha filha de coração, meu amor!  Mas, o tempo sempre atropela seres de espécies distintas... Novamente me surpreendo de ver que biologicamente ela já é bem mais velha do que eu e que os problemas de saúde começam e batem forte. Pensei qu...

Rejeição

Resquícios de uma conversa no café da manhã, quando minha mãe concluiu que me sinto “rejeitada” por alguém... A palavra me soou estranha, fora de lugar… “Rejeitada”! Estranha porque não é assim que eu me sinto… Eu rejeito aquilo que conheço e não gosto e ou não acredito ser conveniente... Se não conheço também posso rejeitar, mas antes me engano… Lido melhor com a rejeição do que com o engano. Este denuncia preconceito, visão e compreensão limitada, ou ausência de visão e compreensão, cegueira. [Sim, sei que Lacan escreveu algo a respeito, mas eu ainda não li.] Não me sinto rejeitada, me sinto invisível… E de uma invisibilidade que me fica enroscada na garganta, pois “cosmologicamente necessária”, no sentido filosófico do termo… Dito de modo simples, me sinto como um espelho, para o qual as pessoas olham e só enxergam o próprio reflexo. É como se a minha função no universo fosse a de ser espelho para os outros. Isso e nada mais! Meu “eu” não importa. Lembro de mim criança, brincando so...

Íntimo e Pessoal

De uns tempos para cá, ando às voltas com a criação de conceitos ou com a atribuição de sentidos um tanto diferentes para conceitos já em circulação... Vou adotar aqui "texto seminal" como aquele que é o mais importante de um escritor, aquele que apresenta a essência primeira de uma obra mais ampla... E adoto considerando que, no momento, não consigo entender bem o que outros querem dizer com tal expressão, apenas sei o que eu quero dizer. O que seria, então, a tal "essência primeira" de um texto seminal? Aquele que diz quem é o autor, o que contribuiu para a formação dele como ser humano pensador e criador. Invariavelmente sua história de vida familiar vem antes da formação escolar, seus conflitos pessoais caminham lado a lado com suas fontes culturais, aquilo que o motiva e o move estão em paralelo com suas preferências, escolhas e conclusões. É um grande erro acreditar ser possível separar história de vida, caráter e produção artística ou intelectual. Estas são p...

Em Primeira Pessoa

Se não estou preparando um relatório acadêmico ou coisa do tipo, que exige correspondência a um padrão formal, normalmente escrevo na primeira pessoa do singular e muito espontaneamente... Sigo um impulso que, hoje, me parece o mais acertado a fazer... Não tenho, nem nunca tive, qualquer pretensão a ser a "dona da verdade" que vai "mudar o mundo" ou que deseja ser uma "influencer" que vai dizer o que outros devem pensar ou fazer... Pelo contrário! Gosto muito de encontrar diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto, informações que me surpreendem, pareceres nos quais eu não pensaria sozinha... Sou inimiga da repetição, da pretensão e de outros ismos e ãos.  Escrever em primeira pessoa é um modo de enfatizar ser o texto apenas reflexo do que eu penso num momento muito específico. Posso mudar a qualquer momento, escrever a partir de outra perspectiva se me der vontade. Então, jamais um texto meu busca "fazer a cabeça" de alguém. Meus parecere...

Sobre a Gritaria “Evangélica”

Li o Novo Testamento quando tinha 9 anos de idade. Na época, convalescia de uma cirurgia de apêndice, estava em repouso, temporariamente afastada das aulas e me ocupava com revistas e livros que estavam em casa. Entre eles uma História da Bíblia, edição ilustrada da Abril Cultural, de 1971. Minhas bases sobre cristianismo vêm dessa fase acrescida de leituras isoladas ao longo da vida, mais catecismo na adolescência (um cursinho bem nada a ver), ritual de crisma e missas ocasionais (bem poucas para cinco décadas de vida, devo admitir). Daí que me considero uma católica. Não porque seja observadora das orientações papais (pouco ou nada sei a respeito), mas porque fui batizada, crismada e irremediavelmente atada à tradição católica que sinto como sendo “o meu lugar”. É como pertencer a uma família consanguínea, não se escolhe pertencer simplesmente se pertence e fim. Mas, se fosse o caso de escolher, eu escolheria continuar pertencendo, sem nenhuma sombra de dúvida... Me sinto católica, p...

2023, Capítulo IV

Meu primeiro impulso para discussões virtuais, hoje e cada vez mais frequentemente, é de dar as costas e sair andando a esmo... São sempre os mesmos discursos viciados e na cultura/sociedade nada nunca realmente muda para além das superfícies - só as vestimentas mudam, as aparências, as camuflagens... Energias assumem sempre as mesmas configurações, e meu sentimento é de cansaço vizinho à necessidade de autopreservação. Então, saio, vou embora. Caminho aos tateios, em busca... São essas as minhas impressões e como me sinto observando as discussões que acontecem no espaço digital, e até no concreto muitas vezes... É isso o que me veio em um 2023 marcado por tantos conflitos que ainda são os mesmos. Na Antiguidade guerreiros armados de escudos, lanças e flechas invadiam territórios a pé, depois à cavalo, depois em carros motorizados e com suas armas tecnologicamente desenvolvidas... Matavam, pilhavam, estupravam, destruíam... Hoje exatamente o mesmo acontece e com a mesma selvageria, com...

2023, Capítulo III

E com a visão comprometida , como ficam meus planos editoriais? Bem, não me vejo aceitando trabalho como diagramadora e revisora por hora. Em encadernação penso como um passatempo com potencial terapêutico... Não sei como aconteceu, mas hoje sinto que tenho opções. Se não vou escrever e preparar publicações, posso divulgar conteúdos de outras tantas formas...  No último ano vários nomes ganharam espaço na minha vida! Eles estão contribuindo para que eu feche toda uma trajetória de estudos sem a antiga impressão de que estou me movendo entre fragmentos desconexos... Enfim, montei o quebra-cabeças da minha vida! Sem pontas soltas... Descobri Mark Fisher, o filósofo inglês, e me identifiquei totalmente... Identificação que me encanta porque acende várias luzinhas na minha mente! Fisher nasceu no mesmo ano que eu, 68. Ele escreveu seus textos com um forte lastro em suas próprias experiências pessoais, claramente e assumidamente. A novidade é que vivemos num mesmo tempo, contemporaneam...