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Mostrando postagens com o rótulo Relações Humanas

Apaixonar-se

Amar? Me apaixonei perdidamente por dois homens ao longo da vida. Um real, outro imaginário... O “homem real” cruzou o meu caminho em meados da década de 90. Eu funcionária de federação de futebol, ele diretor de um clube. Eu com vinte e poucos anos, ele bem mais velho. Quando o conheci, eu namorava outro, também do futebol, com quem poderia ter me casado. Meu namorado queria casar, eu sabia que não gostava dele para tanto, e surgiu um terceiro que definiu tudo. Optei pelo meu “homem real”. Dizem que mulheres jovens gostam do dinheiro dos homens mais velhos. Eu gostava era das atenções de um homem maduro e bem resolvido. Gostava da segurança de estar com alguém que conhecia o mundo e as coisas do mundo muito melhor do que eu. Para mim, era de confiança e segurança que se tratava. Ninguém, em sã consciência, entrega corpo e alma sem ambas. Com o “homem real” eu teria passado toda a minha vida, se houvesse encontrado espaço suficiente para mim na vida dele.  Dirigente de clube e empr...

Conflitando

Que fique claro: na minha bolha pode haver (e há) divergências. Estar em uma bolha não implica alienar-se de conflitos. Porém, entre semelhantes as divergências são encaradas de modo respeitoso, pois os envolvidos sabem estar em estágios diferentes no caminho da evolução. Divergências tornam-se conflitos aborrecidos apenas quando acontecem entre aqueles que optam por atitudes opostas frente ao conhecimento e à evolução, ou seja, entre aqueles que estão a caminho e aqueles que decididamente não desejam caminhar. Falta de respeito implica energias desperdiçadas com estresse desnecessário. Me poupo! Ora, se não se desenvolver é uma adesão feita por livre opção, eu estou me posicionando contra o exercício dessa liberdade? Bem… Não, não estou! Que se fique estacionado se assim o desejo (ou falta) o determina – influências do meio sobre os sujeitos é outro assunto. Eu apenas opto, tão livremente quanto possível, por não conviver cotidianamente com quem não se mantém em movimento. É que quem...

Bolhas e Personas

Quero falar sobre a minha relação com a Internet, suas redes sociais, e sobre as "pessoas" que "sigo" virtualmente. As aspas são importantes, pois tenho bem claro que há distancias entre o que eu vejo, ouço e como entendo, e alguém que  é (em algum espaço tempo) pretende transmitir, a persona criada para o mundo. São fragmentos esses sinais virtuais, que eu interpreto... Mas, não é sempre assim, também nas relações cara a cara? Às vezes mais... em outras as distâncias diminuem... Houve um tempo em que as pessoas caminhavam juntas, lado a lado numa mesma direção, para depois seguirem caminhos diferentes. Distanciando-se, perdiam-se de vista, desapareciam do campo de visão uma da outra. A Internet trouxe a possibilidade de manter à vista o que segue ao longe, ou de periodicamente se rastrear algum sinal de quem saiu da vida "concreta" do outro... E não sei dizer se isso é bom ou ruim. Muitas vezes nos mantém atados a laços que deveriam ser rompidos, ou não.....

O Modo Will de Ser

Qual a diferença entre seguir uma pessoa e ir aonde ela está? Quando me vi diante desta pergunta pela primeira vez me peguei tão surpresa quanto Will... Com aquela cara meio de espanto que o Tom Sturridge fez tão bem. Uma cara do tipo “como você pode pensar isso?!”... Eu não pensei isso, nem Will... Acho que é preciso se colocar em outra sintonia para perceber a diferença. Uma sintonia meio fora deste mundo, ou pelo menos fora do senso comum. Em algum momento alguém inventou que não se deve fazer nada sem esperar algo em troca. Em algum momento se passou a atribuir a todas as coisas uma intencionalidade e, por algum motivo, hoje sempre se pensa que a intenção é negativa. É verdade que o mundo não é “esplêndido”, que não há “matinês às quintas”, que “as pessoas fazem coisas horríveis”. Mas não é verdade que existe apenas uma forma de ver, de sentir, de agir e de reagir. Não é verdade que as pessoas só fazem coisas horríveis, que tudo é carta marcada que leva ao abismo. Não é verdade que...

De Volta ao Confessionário

Comecei a falar sobre mulheres e fiz referência à sororidade como desdobramento de minhas lembranças sobre relacionamentos antigos. Sim, confesso, quando muito jovem me apaixonei por um homem bem mais velho, casado e pai. Na época, fui incapaz de lutar por mais tempo e espaço em sua vida. Usurpar parte do pouco tempo que ele poderia dispor para conviver com os filhos? Não pude... Não podia correr o risco de provocar naquela família os mesmos danos que foram provocados na minha. Eu sabia o que era um pai ausente e uma mãe inconformada... E como não ter zelo pela vida dos filhos do homem que eu amava? Como não gostar dos filhos que eram parte dele? Hoje compreendo mais claramente o que antes apenas pressentia vagamente: mulheres, mesmo nas situações mais desagradáveis, podem desenvolver relações de cooperação e fraternidade. Luana Piovani e Cintia Dicker dão um exemplo lindo! E que pena não ter sido assim entre minha mãe e minha madrasta. E não foi até porque os tempos eram outros... Não...

Cansei de Ser "Cinderela"

 A conversa da Angélica com a Grazi, publicada dias atrás, tem tudo  ver com o que escrevi na minha postagem anterior. Mulheres na nossa geração, minha e delas, eram criadas acreditando no papel da princesinha que precisava ser legitimada pela aparição do príncipe encantado, que surgiria montado no cavalo branco para a salvar a "cinderela" de sua vidinha miserável... E transformá-la na grande dama do seu castelo!   "Príncipes", normalmente, são sapos que usam as princesinha (se não o fazem de uma forma, o fazem de outra), enquanto elas almejam a beatitude da versão romântica do "amor eterno". Simplesmente tornar-se consciente desse engodo é um processo que pode demorar toda uma vida, ou nunca acontecer. E quanto a consciência começa a acenar na esquina o dramalhão começa, porque há um apego ao antigo papel, misturado com o não saber como lidar com o vácuo deixado por crenças secretas antigas a serem abandonadas com muita dificuldade.  É verdade que a exigê...

ATO I, Ressignificar

Confesso que não sou uma pessoa muito normal. Sou tímida, de uma timidez pouco evidente (pois aprendi a fazer com que ela não me bloqueie, não me impeça de expressar, mesmo desajeitadamente, o que eu quero); sou introvertida e, como várias vezes ouvi ao longo da vida; “eu não me misturo” com facilidade; e não sou dada a arroubos de felicidade, sou meio melancólica por natureza (não por acaso grande admiradora da literatura romântica e gótica). O normal é que à primeira vista, me julguem “metida” ou antipática, meio intimidadora. Lembro de uma pessoa querida que certa vez me disse “eu achava que você era ‘metida’, porque você faz biquinho”, eu ri e falei “mas, é que eu sou ‘bicuda’ por natureza” e ela riu e devolveu um “é, hoje eu sei”. As pessoas que me encantam e com quem eu acabo me dando muito bem, são aquelas que não se intimidam com as minhas esquisitices, pessoas espontâneas, de boa vontade, livres de preconceitos, que não estão empenhadas em enquadrar os outros em padrões estanq...