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Postagens

Mensagem na Garrafa - Ano 6, Número 1

E a bola da vez é o Dream Theater. Há dias DT flui, em volume máximo, dos meus fones de ouvido. Me dissolvo em sons e ritmos, em timbres, harmonias e dissonâncias... Evasão! Hoje compreendo melhor o domínio e o fascínio que a música sempre exerceu sobre mim... Ondas sonoras projetadas no espaço em oscilações de frequências variáveis, fazendo vibrar corpos que reagem produzindo sensações... As explicações não diminuem o que há de inexplicável nas sensações, na fusão dos sons com as energias vitais, nas viagens sensoriais, na necessidade de expressar-se produzindo sons, em conversações  furiosas, singelas, agressivas, alegres, mordazes, sublimes, reflexivas... Vez ou outra me vem à mente sua capacidade corrosiva de escárnio... Você zombaria, certamente... Logo eu, que insistia ser o James LaBrie o vocalista chato de uma banda exibicionista enquanto você não se cansava de dizer que "ele canta muito"... Me deixei fixar em Dream Theater.  Há tempo para todas as coisa. É meu tempo ...

Mensagem na Garrafa - Ano 14, Número 1

"O que você pensa das coincidências? Daquela força imperceptível que coloca dois seres em rota de colisão tantas vezes a ponto de denunciar-se? A primeira de uma série foi a sua ausência... Teria eu desejado fazer a você todas as minhas perguntas. O drama não teria se transformado em tragédia.  Teríamos falado sobre coincidências e encadeamentos, sobre vida e progressão... Teria eu me salvado em você de todos os dramas e tragédias...  Nunca vou entender porque Deus permite tragédias a uns como início da felicidade de outros... Você entende ?  Deus tem preferências? Sei que você ainda acredita em Deus. Olha só, eu também! A gente pode acreditar no que não entende, no que não vê, no que não ouve... Mas, eu ouço... Sua voz é uma equação matemática que define objetos, seus tempos e espaços, seus encontros e reencontros...  Espero reencontrar você no fim da linha. Não. Espero reencontrar você antes, bem antes. O quanto antes... Era a você que eu devia ter feito todas as m...

Paul Williams e Philip K. Dick: o primeiro crítico do rock, o último escritor de ficção científica, unidos para sempre

De: Andre Forastieri Philip K. Dick e Paul Williams, com o filho de Phil no colo Paul Williams nos deixa cedo. Era hora. Tinha 64 anos e sofria de Alzheimer. A demência começou a se manifestar em 1995, após um acidente de bicicleta. Já não tinha consciência de nada. Dependia totalmente dos cuidados da família, e da bondade de estranhos, que pingavam contribuições para pagar as contas altas da invalidez. Vivia em uma casa de repouso. Williams inventou o jornalismo rock'n'roll quando estava na faculdade. Tinha 17 anos quando criou a revista Crawdaddy, a primeira a trazer artigos que iam além da fofoca, ou da idolatria dos fãs. Foi em 1966, outro dia mesmo. Incrível pensar que no auge dos Beatles, não tinha ninguém escrevendo sobre eles a sério. Williams foi tão inventor do rock quanto Elvis ou quem você quiser. Antes dele, e de alguns outros de sua geração, rock era música pra curtir, dançar, namorar. Depois foi o sangue nas veias de uma geração, energia vital, imp...

Mensagem na Garrafa - Ano 38, Número 1

De uns tempo pra cá dei de frear o impulso de escrever por mera catarse. Tem sido até bem fácil. Do nada comecei a me pegar envolvida por antigas sensações e fui fechando todas as portas,  capturando as lembranças e me deixando  ficar sozinha com elas. Muda.  Acho que isso começou numa tarde em que a Teka recusava deitar-se. Teimava em ficar sentadinha numa almofada, com o corpinho apoiado contra a parede, olhando pro nada...  Sei que ela percebia relâmpagos e, às vezes, sombras repentinas, mas nunca vou saber ao certo o quanto ela ainda enxergava.  Ficava longos minutos com os olhinhos perdidos na distância, movendo a cabecinha levemente, como quem observava algo... Eu a observava. Me perguntava o que ela via, o que sentia...  E dali em diante tanta vezes me peguei imersa nas sensações daquele dia em que intrigada pelas bolinhas coloridas que esvoaçavam ao meu redor, perguntei a você o que eram elas! "São fluídos que caem do céu", você respondeu... E ...

Terceira Via

Eis que sou novamente a maluca que joga pro alto as oportunidades pelas quais boa parte dos mortais pede aos céu! Mas, desta vez, desconfiei de mim o suficiente para questionar as reais motivações. Teria eu medo de enfrentar as responsabilidades? Ou seria insegurança, complexo de inferioridade? Será que eu minto para mim mesma, me camuflando com idealismos que, na verdade, são meras desculpas para não encarar as reais motivações?  FATO: "a vida é o que acontece enquanto fazemos planos"... O que aconteceu nos últimos meses é que perdi totalmente minha ilusões socialistas. Foi como areia se esvaindo entre os dedos, aos poucos... Me peguei concordando com os filósofos que afirmaram ser o mundo, sempre, o melhor que pode ser. Dadas as condições, vivemos no melhor dos mundos possíveis... Lamentavelmente!  E os motivos da minha descrença foram tantos! Resumindo, me dei conta de que existem mais limitações humanas do que supunha minha vã filosofia. O ser humano é um bicho medroso qu...

Maya

Nada é pior do que a dor das perdas irreversíveis e irreparáveis. Cada um tem seu jeito de conviver com a falta, com a saudade. O meu jeito sempre é me fechar em mim mesma enquanto sigo em recuperação lenta. Quando a Tekinha se foi não posso dizer que eu tenha ficado surpresa. Na verdade, em seus últimos dias eu dizia pra mim mesma que devia me preparar para mais este impacto. No fim, não houve revolta, apenas a aceitação diante do que não podia ser diferente, e a paz por saber que dei a ela tudo o que estava a meu alcance e que ela sabia. Mas me fechei em mim e voltei a estar em companhia da pressão alta, das crises de enxaqueca, da depressão. E não era minha intenção ter outro bichinho em casa tão cedo. Mas, há menos de um mês, num sábado de manhã, eu cruzava meu bairro com um serzinho de olhos meigos pousado nos meus braços. Foi ideia da minha mãe, que na noite anterior chegou em casa encantada com a filhotinha de pinscher vista num pet shop. E tanto a dona Maria insistiu em falar ...

Musicando

O conto é do Gogol, chama-se "O Retrato". Se dele você não quer conhecer começo, meio e fim, pode parar de ler por aqui... Tchartkov é um jovem pintor sem tostões e prestes a tornar-se também sem teto. Talentoso, é aconselhado por seu  Mestre a prosseguir nos esforço para aperfeiçoar sua arte, não sucumbindo ao sucesso fácil. O Mestre lhe diz que talento é algo a ser preservado e desenvolvido, mas que é caprichoso e avesso às vaidades vãs, pelas quais tantos jovens se perdem. Fama, fortuna, bajulação são futilidades a serem evitadas pelo artista de gênio, só aceitas com reservas em consequência de trabalho árduo. Mas, Tchartkov encontra um tesouro escondido e, ao contrário de usá-lo como provisão e continuar os estudos, faz exatamente o contrário do que lhe aconselhou o Mestre. Embarca numa vida de homem rico e fútil, passa a pintar retratos a altos preço, cada vez mais submetendo seus dons aos caprichos de outros em troca de mais dinheiro e uma vida luxuosa. Torna-se muito...

O DIA DA MULHER – Alexandra Kollontai

"O que é o dia da Mulher? É realmente necessário? Será que é uma concessão às mulheres da classe burguesa, às feministas e sufragistas? Será que é nocivo para a unidade do movimento operário? Estas questões ainda se escutam na Rússia, embora já não no estrangeiro. A vida mesma deu uma resposta clara e eloquente a tais perguntas. O Dia da Mulher é um elo na longa e sólida cadeia da mulher no movimento operário. O exército organizado de mulheres trabalhadoras cresce a cada dia. Há vinte anos, as organizações operárias não tinham mais do que grupos dispersos de mulheres nas bases dos partidos operários… Agora os sindicatos ingleses têm mais de 292.000 mulheres sindicalizadas; na Alemanha são à roda de 200.000 sindicalizadas e 150.000 no partido operário, na Áustria há 47.000 nos sindicatos e 20.000 no partido. Em toda a parte, na Itália, na Hungria, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega e na Suíça, as mulheres da classe operária estão a organizar a si próprias. O exército de ...

E o Marco Civil da Internet? A luta continua por uma internet Livre Democrática e Feminista !

De Clareana Cunha Para Marcha Mundial das Mulheres Em novembro do ano passado, escrevi um texto falando da questão do Marco civil da internet e a importância de uma internet livre democrática e feminista para nosso movimento, contudo, achei que agora estaria escrevendo sobre os resultados e os avanços desse tema…… só que não. Desde o final do ano passado varias votações do marco civil vem sendo adiadas no congresso, por interesse das teles e alguns Deputados ligados a elas, que continuam mantendo posições não favoráveis adiando sempre a votação do Marco Civil da Internet, sendo que a lei que tipifica crimes na internet e valoriza a prestação de serviços das teles já foi votada. Então vamos falar escrever e reafirmar porque a internet é uma ferramenta importante para o feminismo, e como podemos ajudar a construção de uma internet justa e igualitária longe dos vícios da mídia tradicional. Porque a liberdade na internet é uma luta feminista ? A Internet se a...

Entre a Intenção e o Símbolo

Que não nos falte o tempo... .

Recorrente

Quando criança, eu vivia às voltas com um sonho recorrente. Nele, estava sempre atrasada para algo, precisava pegar um transporte que passaria em dado momento e levaria a algum lugar. E sempre me dava conta de que estava descalça, precisava encontrar o calçado e pegar o transporte. E o tempo ia acabando e o transporte chegando... Despertava em meio à agitação da busca e o desespero da perda. E o sonho se repetia sempre. Mudavam os cenários, os personagens periféricos, mas a história era sempre a mesma. Onde eu deveria chegar, para que, por qual motivo, eu nunca soube. Apenas sentia que chegar era essencial, vital.  O fato é que toda a minha vida está marcada pela falta de sintonia entre o meu tempo e o tempo dos outros. Eu não me formei no colégio quando "deveria" ter me formado, não entrei na faculdade quando "deveria" ter entrado, não me casei nem tive filhos nos tempos em que casar e ter filhos acontece na vida da maior parte das pessoas. Hoje eu "deveria...

Depressão

Não sei bem como aconteceu, mas noutro dia, procurando algo no YouTube (que nem me lembro mais o que era) acabei dando de cara com um vídeo sobre depressão ( Como Superar a Depressão ). Curiosa que sou, fui ver de que se trata e me senti cativada por aquelas pessoas. Na verdade, “cativada” não é bem a palavra. Dizer que me identifiquei é mais sincero. Na verdade, sei bem do que estão falando.  Não me acho uma pessoa dark, mas admito que tenho uma tendência para a melancolia. Sou simpatizante daquele velho estilo romântico exagerado, dada a profundezas e intensidades, mas isso com uma certa suavidade e nada que refute o bom humor ocasional. Não é por acaso que sou admiradora do Oscar Wilde. Aprecio seu hedonismo estiloso, suas sutilezas e a alegria ora cínica, ora serena, como sol de fim de tarde. Esta é a versão ordenada, a versão “normal” de mim.  Mas, tal normalidade tem certo grau de fragilidade, que periodicamente espanta o frescor dos fins de tarde e coloca no lugar um ...

Recomeços

As aulas começaram no dia 4. Não fui... Estava "retirada" numa reunião de trabalho que durou três dias. Daí veio carnaval. E foi o carnaval mais logo e doloroso que eu já vivi... Só ontem me animei a procurar saber o elementar, quais os dias e horários de aula, qual a sala, essas coisas... E buscando saber desembarquei na Moóca no exato momento em que o céu desabava, desaguando nuvens negras, e o fornecimento de energia elétrica era interrompido. Tempestade assustadora! No prédio da faculdade, água invadia as passarelas e funcionários assustados corriam para fechar portas e janelas em meio às raras luzes do gerador. Mas, mal atravessei o portão e me senti envolvida por aquela sensação de quem volta pra casa... E me surpreendi por perceber estar de volta sem sentir o peso na alma que aumentava toda vez que eu pensava naquele lugar. Andei pelos corredores conhecidos sem lembranças amargas e me emocionei por senti-las distante... É que novas preocupações equilibram o peso das an...

Um Até Breve

Há dores das quais a gente não fala... Para mim, que nos últimos anos tanto olhei para as minhas angústias com lentes de aumento, dores que são incomunicáveis até entre os meus próprios “eus” despontam como algo novo.  Só digo que nesta semana, há dois dias, partiu a minha companheirinha, a Teka, a pequena pinscher que me acompanhou no dia-a-dia por quase duas décadas. E foi uma guerreira a minha pequena, desde novembro driblando insuficiências cardíacas, avcs, cirurgia, perda de mobilidade das perninhas. Nos seus últimos instantes de vidas, sentindo seu coraçãozinho cansado, a imagem que me veio à mente foi da cachorrinha alegre, livre do peso da senilidade, das dores, das limitações, correndo num campo aberto, suavemente ensolarado, e me olhando de longe com um meio sorriso na carinha animada e olhar cúmplice de “eu sou sua e você é minha”.  Quis e quero que tudo o que exista seja imaginação e que aquela imagem seja realidade eterna. Que a realidade/imaginação nos separe ape...

Redes Sociais - Proveitos e Riscos

Texto:   Frei Betto A 7 de setembro, data da independência do Brasil, ocorreu algo novo: as ruas foram ocupadas por mobilizações populares convocadas através da internet. As pessoas saíram em passeatas para protestar contra a corrupção, o sucateamento da educação, e por reforma agrária e auditoria da dívida pública, entre outros temas. E fizeram questão de imprimir às manifestações caráter apartidário. Quem se atrevesse a desfilar com sigla de partido político era imediatamente rechaçado. Ali, no 7 de setembro, uniram-se o Grito dos Excluídos – uma tradicional manifestação de rua por reformas sociais - e o grito dos indignados. As ruas do Brasil, até então acostumadas a ver, nos últimos tempos, apenas manifestações de evangélicos, gays e defensores da liberação da maconha, voltaram a ser palco de pressão política e reivindicação popular. O poder convocatório das redes sociais é inegável. Elas possuem uma capilaridade que supera qualquer outro meio de comunica...

Conflitos

Não costumo fazer planos e quando faço não os sigo. Não traço estratégias, sou indisciplinada. E isso é um erro, pelo menos no que diz respeito ao meu trabalho. Não fiz planos para 2013, embora tenha conseguido viver um 2012, tenha conseguido me ligar no mundo o suficiente para visualizar a chegada de um novo ano. Também não vou tentar sair do meu ciclo vicioso de planos esquecidos agora. Apenas despertei com a vontade de  confessar para mim a necessidade de me posicionar diante do que está me incomodando. Me incomoda a quantidade de sentimentos negativos que acumulei em mim em 2012. Trabalhei, viajei, conheci outros lugares, outras pessoas e fui jogando pra baixo do tapete a mágoa e a indignação  que vira e mexe se transformam em raiva, que ameça sair do controle e varrer o espaço como furacão. Mágoa, acima de tudo, porque nem por um segundos, há anos, eu me livro da lembrança de alguém que vive mergulhado num poço de orgulho e de auto-proteção, como se fosse o único no mundo...

Frágil

Os último dias foram de uma tristeza densa. Do sul do país veio o abalo que nocauteou a nação. Atingidos em cheio no alto do nosso pedestal, nós, sobreviventes, fomos atirados ao chão, frente à nossa real condição no mundo... Não somos nada! A fragilidade dos mortos de Santa Maria é a fragilidade de tudo o que vive sobre a Terra. Se corre tanto, mas nada salva dela, a fragilidade. Há quem se engana com a ilusão de que pode prever todas as coisas, programar todas as coisas, julgar e controlar tudo e todos, proteger-se de tudo...  O descarte,  muitas vezes, aparece como solução e a gente sai deletando quem mais nos ama, quem mais precisa de nós, protelando as boas palavras, os bons gestos, as pequenas grandes alegrias que são tudo o que a vida pode nos dar e que não são pouca coisa. No meu último passeio, caminhando pelas ruas do centro de Santo André, me percebi quase atropelada por transeuntes umas três vezes. "Será que sou invisível", pensei a certa altura já irritada co...

Contribuições para a Construção de Indicadores do Direito à Comunicação

De Texto de Mariana Tokarnia Para Intervozes Livro apresa as contribuições do Intervozes para o desenvolvimento de meios para a população aferir a efetivação do direito à comunicação em determinada cidade, estado ou país. Foi lançada no final de junho a publicação Contribuições para a Construção de Indicadores do Direito à Comunicação . O livro se propõe a estimular o debate sobre indicadores para a avaliação quantitativa e qualitativa do direito à comunicação no país e é resultado de uma pesquisa realizada pelo Intervozes com o apoio da Fundação Ford. A ideia de realizar uma pesquisa que estimulasse o debate sobre a construção de referências capazes de mensurar o direito à comunicação no Brasil surgiu em 2004, quando o Intervozes trabalhava em outro estudo internacional sobre o tema, promovido pela Campanha CRIS (Communication Rights in the Information Society). O estudo tinha o objetivo de avaliar a base constitucional e legal, a implementação, o papel de diferentes...

Intervozes Publica Pesquisa Sobre Órgãos Reguladores de Rádio e Televisão em 10 Países

Coletivo lança estudo sobre o funcionamento de órgãos reguladores de países da América do Sul, Norte e Europa para contribuir com o debate sobre o novo marco regulatório da comunicação. Com o objetivo de contribuir para o debate sobre o novo marco regulatório para as comunicações no Brasil, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social apresenta um levantamento sobre o funcionamento de órgãos reguladores que atuam sobre sobre a radiodifusão em 10 países. O estudo revela a tendência de os países adotarem órgãos independentes para regulação do setor, com ênfase nas questões de garantia de competição, gestão do espectro e de regulação de conteúdo. Foram pesquisadas as estruturas reguladoras de Reino Unido, França, Canadá, Estados Unidos, Bósnia e Herzegovina, Argentina, Uruguai, Alemanha, Espanha (incluíndo um capítulo especial sobre a Catalunha) e Portugal. Sem a pretensão de ser um estudo aprofundado sobre a dinâmica dos conselhos e agências, a pesquisa do Intervoz...