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Especismo

 A palavra "especismo" surgiu na minha vida em 2010. Naquele ano, estudando Ética, tomei contato com o pensamento de Peter Singer e Mary Midgley, filósofos que refletem sobre questões relacionadas aos direitos dos animais. "Especismo" se refere à maneira preconceituosa como os humanos se comportam diante de outras espécies. O fundamento principal dessa linha de pensamento é relativamente simples: ao longo da história da humanidade os animais foram entendidos como inferiores aos humanos e sujeitos às suas necessidades e caprichos, tendência esta que foi acentuada pelas religiões. A bíblia católica, por exemplo, fala da criação de um paraíso onde todas as coisas estariam à disposição dos humanos, inclusive os animais, seus companheiros e "enfeites" do ambiente. O resultado disso é que, de modo geral,  os humanos ainda tomam os animais, os diferentes, como inferiores, cuja dor e sofrimento não são tão importantes como a sentida pelos humanos. Daí que ninguém ...

Ciência para quê? Produtividade para quem?

Para compreender o mundo atual, é preciso sobrevoar as pesquisas e os planos para o futuro financiados pelas grandes corporações e desenvolvidos pela ciência de ponta. É preciso olhar para a NASA, para a indústria armamentista, para o CERN,  para os grandes centros de pesquisa nacionais e internacionais... Pessoalmente, não sou contra à evolução científica. Claro que não! Sou contra é que poucos decidam os destinos da humanidade, de acordo com seus próprios interesses. Quando a filosofia faz críticas à ciência se tem em mente um tipo de conhecimento técnico que foca apenas o próprio horizonte, perdendo de vista a dimensão da totalidade. Portanto, q ue o povo tenha compreensão dos processos científicos e esteja em condições de tomar decisões é urgente! Abaixo trechos da Revista Fapesp, de Maio de 2008, pp 75-77. Antiga, porém atual. Os grifos são meus.   Um pouco antes do século passado se encerrar, em 1999, grupos de pesquisadores começaram q se reunir nos Estados Unidos par...

O Jogo

Relembrando o passado é que eu entendo também o meu presente, que se juntam as peças desordenadas. Nos últimos 20 anos muito mudou e nada mudou... Minha religiosidade não é mais tão frágil e meus ouvidos não são mais tão sensíveis. Não me assustam mais cruzes de ponta cabeça ou guitarras serra elétrica. A ingenuidade desapareceu há muito tempo. Ganhou espaço a angústia de saber que aquilo que mais se preza sempre acaba submetido a um sistema econômico que a tudo perverte e que as pessoas, de um jeito ou de outro, colaboram, inevitavelmente. A vontade de estar num mundo diferente, de viver uma realidade diferente é a mesma. Mas, o que está aí é um jogo viciado. E hoje, ainda, nada me importa mais do que encontrar uma saída que leve para fora desse círculo vicioso, longe das interpretações e ações pré-estabelecidas. Não foi à toa que Teoria Crítica me arrastou a estudar Filosofia. Foi a força de determinação do que era mais essencial em mim. A vida familiar da infância, a adolescência, ...

Black Metal

Não raro, as “melhores” famílias têm suas ovelhas negras. Fosse o Heavy Metal uma família respeitável, eu diria que o Black Metal é o filho problema. Criança esta que eu rejeitei no nascimento. Me lembro das primeiras vezes que vi Venom, a banda precursora do estilo, em vídeo, na Woodstock. Foi rejeição instantânea, em parte por preconceitos meus, de fundo religioso. Fã de Heavy Metal, eu não me achava exatamente uma católica radical. Porém, a agressão visual e sonora do Venom não combinava com uma formação cristã, por mais remota que fosse. Além da ostentação de símbolos pagãos, a defesa do satanismo e da violência, a musicalidade me era incompreensível. Vocais berrados, rasgados ou guturais, baterias à velocidade da luz, guitarras com timbre de serra elétrica... Me parecia uma coisa mórbida e de extremo mal gosto. Seria cômico se não me parecesse tão trágico. Não quis saber daquilo. Me interessava uma sonoridade mais tradicional ou com pegada progressiva, ou hard, ou no máximo o powe...

Woodstock Discos os Anos Dourados

  O ano era 1983. Há semanas estou tentando me lembrar de como cheguei lá pela primeira vez. Foi por acaso, por indicação de alguém? Não me lembro... Era uma loja de discos muito especial, que ficava numa galeria da Rua José Bonifácio, esquina com o Largo São Francisco. Eu a encontrei poucos dias antes de sua mudança para a Rua Dr. Falcão, esquina com o Largo do Anhangabaú, onde está até hoje, embora sem um milésimo da “magia” e da importância que teve na década de 80. Foi naquele primeiro dia, numa manhã de sábado, que começou uma aventura que marcaria a minha personalidade para sempre. No início dos anos 80 a indústria cultural era sacudida por um movimento que começou na Inglaterra e se espalhou pelo mundo, a New Wave of British Heavy Metal. Surgido em fins da década de 60, com o Black Sabbath, o estilo de rock pesado com guitarras distorcidas, ganhava um novo fôlego com bandas inglesas como Saxon, Samson, Iron Maiden e Def Leppard. Na época, um Brasil recém saído do regime mili...

Until The Light Take Us

Documentário alemão sobre o movimento norueguês de Black Metal. Melhor coisa que eu assisti em muito, muito tempo! Maravilhoso!

O Lado Bom da Vida, o Filme

  Após um colapso nervoso, Pat  é internado em uma clínica para doentes mentais. Ao retorna à casa de seus país, sob condição de continuar visitando um terapeuta periodicamente e de não abandonar os medicamentos, prepara-se para retomar o antigo trabalho e reconquistar sua esposa, quando conhece Tiffany, uma problemática viúva. O filme tem tanto de comédia romântica quanto de drama. A história é boa, os atores estão bem, especialmente Jennifer Lawrence, a viúva que parece sempre no limite do autocontrole. Mas, tem alguma coisa que não funciona... Me parece que a direção de David O. Russel, oscilando entre estilos, não conseguiu atingir o melhor nem da comédia romântica nem do drama. De qualquer forma, não é de todo um desperdício de tempo. Tem bons momentos, rende umas risadas num fim de noite e é sempre bom rever Robert De Niro, desta feita como pai de Pat.

Medianeras

Filme argentino. Sobre espaços urbano, usos de tecnologias da informação, solidão nas grandes cidades e... Esperança! Assuntos tão atuais que estão ficando batidos, mas neste filme aparecem de uma forma interessante pelo tratamento leve, simpático e inteligente. O final surpreende por um pequeno detalhe e arranca lágrimas de emoção... Singelo! Muito bonitinho!

Desfragmentando

Não faz muito tempo comentei com um amigo sobre minha necessidade de encontrar uma nova paixão. Não me referia à paixão por uma pessoa, mas por um "algo" que me envolvesse, me impulsionasse naturalmente e irresistivelmente rumo a novas superações, novas descobertas, novas realizações. Que fosse uma ideia percebida por meio de um filme, de uma música, de um livro, de um acontecimento qualquer da vida, uma nova perspectiva, enfim, um "algo" que me fizesse sentir viva e começando uma nova etapa da existência, que espantasse a letargia, a falta de vontade. Eu precisava me sentir como uma "criança em loja de doces", como gosta de dizer o Vile Vallo... Mas, não me sentia. Estive em um deserto existencial por muito tempo e não pela primeira vez. Por experiência, bem sei que a gente não encontra esse "algo" olhando ao redor. Procurando, mais me engano do que desvendo. Não está no presente nem no futuro. Não. É sempre retomando o passado que eu ajeito o t...

Mensagem na Garrafa, Ano 38, Número 2

Meus sonhos de viagem sempre foram polares. Noruega, Suécia, Islândia, Patagônia, Ushuaia... Embora seja uma friorenta notória, tenho fixação por paisagens com gelo e neve. Adoro! Mas, na minha imaginação tais lugares sempre aparecem envoltos pela luz intensa de um solzinho frio. Sei que sou bem pouco realista... E se tivesse que passar dias, semanas ou mesmo meses sem ver a luz do sol, acho que morreria de tristeza.  Em São Paulo está frio, muito frio, e há dias. Por hora, a Maia parece mais incomodada do que eu. Está “elétrica”, ansiosa, sem os passeios e nem mesmo o quintal. Sem, mesmo, já que ela anda espirrando, apesar da vacina contra gripe, tomada meses atrás. Ela completou seis meses e desde que veio para casa, meus dias começam com a festa que ela faz quando me levanto da cama de manhã; as horas passam com ela andando atrás de mim pela casa ou eu andando atrás dela, contendo suas estripulias, e terminam quando a coloco para dormir nos inícios de madrugada. Nos tornamos i...

Delain - April Rain

Count your blessings and prepare to change your point of view All those days that you spent waiting won't come back to you Take off the glasses that have shaded your world black and gray It doesn't get easy, don't you know?

Para Não Dizer Que Não Falei de Flores

Foto oficial de fundação da Associação Veracidade enquanto pessoa jurídica. Lugar onde entre as plantas nascem gentes e, entre as gentes, plantas. Ultimamente eu dei para me ler [me ler?]... Enfim, ando lendo meus próprios textos. Sempre me vem à mente uma fala da Clarice Lispector que dizia nunca reler os próprios textos... Eu também costumo tirar de mim em palavras escritas o que está me incomodando e depois, me sentindo momentaneamente menos pesada, deixo pra lá o que escrevi... Mas, me veio a necessidade de fazer uma arrumação nos meus blogs, como uma forma de organizar a vida e a minha cabeça, então fui ler...  Interessante como os textos adquirem vida própria. Eu mesma, algumas vezes, já não sei bem o que pensava enquanto escrevia alguns deles... Agonias pungentes me parecem agora meio desbotadas. E olhe que eu os escrevi há um ou dois anos atrás! O fato é que algo em mim tem trabalhado incessantemente para jogar pás de cal sobre muita coisa. Me esqueci deliberadamente. Len...

HIM - Moscou 12.06.2013

Ville Valo recuperado da asma e da pneumonia, sóbrio, sem cigarro entre os dedos, numa magreza com jeito de saudável e cantando direitinho após o fiasco total que foi o retorno da banda em fins do ano passado... Pq caímos? Para aprender a levantar, Ville... E eu comemoro com sorrisos!!! (Rs)

Batman, Lucius Fox e A Vigilância das Telecomunicações

 Dia 17 de julho de 2008 foi o dia da estreia nacional de Batman, o Cavaleiro das Trevas. Eu o assisti no dia seguinte, num sábado pela manhã. Foi uma das experiências mais impactantes que eu já tive com cinema... Talvez a mais impactante. Na época eu escrevia para o Cine Players e a expectativa pelo desempenho do filme era alta. Não decepcionou. E foi recorde de bilheteria. Todos os colaboradores queriam publicar suas resenhas sobre o filme e elas foram aparecendo no site aos poucos. Eu, impaciente, aguardava a publicação do meu texto que foi um dos últimos a ser apresentado aos leitores, pois eu não havia avisado que o assistiria. Tudo bem! Modéstia à parte, o meu texto foi o melhor! Não, isso não é uma demonstração explícita de arrogância. Foi o melhor para mim, porque na época  expressou perfeitamente o meu deslumbramento com o filme. Conseguir se expressar de forma satisfatória em texto é muito difícil, mas na época fiquei satisfeita. Semana passada revi a trilogia Batman...

Kate Bush - Running Up That Hill

Em meio ao caos, a arte.  E eu deixando de vagar por aí e juntando todas as minhas partes... Aqui! Is there so much hate for the ones we love? .

Mensagem na Garrafa - Ano 0, Número 1

"Nós éramos parecidos. Muito parecidos na nossa petulância descuidada de dizer o que pensávamos. Por isso me encantei com suas palavras, com seu jeito outsider, com sua erudição turbulenta e inquieta... Eu continuo a mesma... Minto. Me tornei mais petulante, de um descaramento irmã da descortesia corrosiva que se voltou contra você. Nunca tive paciência para subterfúgios. Máscaras me irritam insuportavelmente. O acúmulo de improváveis e desastres serviu de estimulo à ira tradicionalmente contida. Relevei muito. Não relevo mais nada. De mãos dadas seríamos imbatíveis, um chamando o outro a si quando a subversão ameaçasse ultrapassar a sensatez... Se você não tivesse se tornado surdo... Não sei bem mensurar o ponto em que nos distanciamos... Não que eu não o conheça... Fica difícil avaliar uma realidade que você não confirma... Sei que o prazer de sermos um se transformou em energia fluída de seres opostos em guerra permanente. Produto da ausência de frases curtas que teriam selado ...

Da Superfície

Hoje foi o meu último dia de aula do semestre. E eu estou aqui e não na aula. Não que esteja curtindo uma mera vagabundagem, é que só a pouco conclui meu último compromisso profissional do dia. Tarde. Desde 2008 a minha vida acadêmica vinha assumindo o primeiro lugar na ordem de prioridades. Acontece que a fase se prolongou e perdeu o lugar por força das circunstâncias. E com o trabalho e o dinheiro como prioridades, me vejo na situação de ser obrigada a encarar que sou muito mais parecida com o que já critiquei fervorosamente em outros do que gosto de admitir. Para mim isso não chega a ser novidade. Muitas vezes, ao longo dos últimos anos, me peguei em escolhas que antes havia criticado em alguém. Somos parecidos, sim. Muito parecidos, no lado negro! Somos ou nos tornamos. Não tenho a magnanimidade das pessoas que resgatam as melhores explicações para os piores atos. Em minhas elucubrações passei a descascar as aparências de uma forma que poucos gostariam de saber. Não há ilusão que ...

Fragmentos da Obra em (Des)Construção

Querido diário, não eu não morri... Continuo caminhando sobre a Terra.  Também não há nenhum motivo especial que me leva a escrever cada vez menos. Talvez muitos motivos... Na verdade, há muito acontecendo ao mesmo tempo e sempre me pego invadida por uma vontade urgente de fugir para algum lugar onde não existam celulares,  Internet, nem um monte de banalidades que ameaçam me levar pra longe do essencial.  Hoje em dia é preciso aprender a lidar com a tecnologia da informação para que ela não nos paralise, não nos soterre, não nos transforme em apêndice banal de um mundo banal. Com o celular é fácil de revolver: ignore, desligue, atire na direção da lixeira mais próxima. Pouca coisa é tão urgente que não possa esperar um pouco. Com a Internet é mais difícil. O útil  se funde ao inútil, o necessário se entrelaça com o descartável, o sublime com o aparente. O navegar em linha reta exige o esforço extra de equilibrar-se à beira de abismos. De um lado o fosso da desinform...

Um Bom Dia!

  Hoje o dia começou como qualquer outro. Tomei café da manhã com a Maia enquanto minha mãe ainda dormia. Liguei o computador para trabalhar, mas antes passei pelas manchetes dos jornais. E me veio o enfado... Parece que a mídia entende por notícia apenas misérias, tragédias, corrupção, tendenciosidades, o sobe/desce da bolsa de valores, polêmicas vãs e superficialidades em geral. Claro que não se deve ignorar o lado negativo da vida. A gente precisa saber o que acontece de ruim, precisa tomar posições, precisa ser solidário com quem precisa de ajuda, etc. Mas, a gente também precisa de esperança.  Em meio ao turbilhão de informações e excesso de caos diário a vida fica cada vez mais árida. Falta esperança, beleza, poesia, conforto emocional. E a falta cansa, enfraquece. Por mais que se queira ser positivo, determinado, dinâmico o contexto exaure as energias a ponto da gente às vezes nem saber como recuperá-las, pois nada parece recuperá-las. Mas, hoje o dia também trouxe sua...

Sons e Fúria

Permanecer atada a velhas pendências, principalmente quando se anseia pela aposentadoria de uma forma de vida que já não satisfaz, é muito ruim. Mas, verdade que passar um ano inteiro estudando Estética não é o pior que pode acontecer na vida de alguém. No meu caso tem acrescentado a vantagem de ser farol no caminho. Quando me perco de mim, fico sem rumo e nada parece fazer sentido, o que acaba por me salvar é o passado. Olhando para trás procuro o que me fez feliz um dia, meu porto seguro. Ali relembro quem sou, o que ficou mal resolvido, o que merece ser revisto, retomado. Algo que sempre me tira da impotência, renova as forças e me faz retomar a caminhada é a minha mais antiga e mais forte paixão: a música. Me lembro da menininha que eu um dia fui, que se trancava nos armários de casa com o radinho de pilha no ouvido, no último volume; da adolescente tímida que se trancava no quarto com o aparelho de som sempre no último volume. Sempre fui uma solitária acompanha pelo mais sublime, ...