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Eu e Ela, a Música

  Não sei escrever sobre música. Na verdade, ela me intimida, faz com que eu me sinta uma incompetente, de uma incapacidade insuperável diante do inexprimível… Acho, mesmo, que a música é uma coisa majestosa e algo para o qual eu não quero ter explicações, porque decifrá-la integralmente seria desnudar o perfeito tirando-lhe o encanto à medida que se descobre seus segredos. Um sacrilégio! Não houve uma época em que ela não estivesse presente na minha vida. Da vitrolinha ao radinho de pilha quando criança, me lembro dos sucessos populares dos anos 70. Abba, Nazareth, Suzy Quatro, Elvis Presley, Genesis, Beatles, John Lennon, tantos outros… O vínculo definitivo entre eu e ela se firmou na adolescência, nos anos 80, época em que a New Wave of British Heavy Metal chegava ao Brasil. Mas, não só o Heavy Metal ganhou minha adesão. Vários estilos se desenvolveram naqueles anos, como o Hard Rock, o New Romantic, o Tecnopop… A música clássica também me ganhou na época. Ouvi muito Mozart, pri...

Encontrar-se

Para encontrar-se é preciso perder-se mais antes de emergir... 1. Apaixonar-se perdidamente 2. Sobrevoar incansavelmente o objeto de paixão 3. Aprofundar-se nos pontos de vista 4. Mergulhar e criar laços 5. Atuar

Mystery Elevator Tour no Brasil

  Ainda sobre Cha Eun Woo … O que é essa histeria coletiva em torno de um “homem bonito”? Não estou sabendo lidar… Nos idos dos anos 80, na minha adolescência, quando eu estava por demais interessada em bandas de heavy metal, eu tinha horror ao comportamento de garotas que perdiam o bom senso por causa dos “cabeludos lindos”. Eu me interessava pela música e fazia questão de ostentar meu interesse e conhecimentos a respeito. Não queria ser confundida com uma groupie em potencial. Então, digamos que eu sublimava minha libido por meio do interesse racional pela música e tudo o que a envolvida. Francamente, não fazia e não faz sentido para mim alimentar comportamentos descontrolados por causa de um ser humano belo, porém absolutamente inacessível e tratá-lo como objeto em exposição. 1) Por tratar-se de um humano sem nada que o distinga do resto da humanidade, afora os holofotes midiáticos; 2) Porque autocritica e autocontrole são recomendáveis em qualquer situação… E não posso deixar d...

Efeito Doramas

Cha Eun Woo virá ao Brasil em junho, para um fan concert único em São Paulo. A notícia me pegou de surpresa na madrugada de 25/26 de junho. Os ingressos seriam colocados à venda durante o dia, e foram. No minuto seguinte haviam se esgotado, e passaram a circular as lamentações daqueles que não conseguiram comprar... Nem cheguei a tentar, pois nem de longe imaginei que a histeria seria tão grande. Deixei para depois, achando que haveria tempo... Acabou ficando evidente que há uma histeria generalizada em torno do "lindo ator coreano"... Meus sentimentos por Eun Woo são confusos...Não conheço seu trabalho como ator. Não posso me interessar por doramas, pois não tenho como acomodar mais um vício na minha vida... "Conheci" Eun Woo na esteira dos acontecimentos relacionados ao falecimento de Moon Bin, há um ano atrás. Foi "ontem" e parece tanto tempo... De lá para cá descobri um novo universo para explorar... Não se passou um único dia em que eu não descobrisse...

A Luz Prateada

[Amo demais essa música!] Desamarre a corrente que está enrolada em você Toda a sua dor que estava pesando sobre você Sacuda tudo, tudo Salve-me mais, salvem-se todos vocês voltando a sentir Abra minhas asas congeladas e voe Agora eu posso ver isso no céu cinza Uma luz visível, a luz prateada da esperança O abrigo da minha tão esperada salvação e destino final Isso me alcança no momento de desespero, oh, sim Esses hematomas azuis Volte e torne-se uma faísca Não deixe nada manchar Queime longe, oh Siga a luz prateada Finalmente voe através da escuridão e para a luz Além dessa luz Brilhe na luz prateada Finalmente vem à mente através da escuridão, para a luz, para aquela luz através da tempestade, através da escuridão Voe para a luz do dia Chegando perto do paraíso Além dessa luz, além dessa luz Através da tempestade, através da escuridão Voe para a luz do dia Chegando perto do paraíso Além dessa luz, além dessa luz Sim, uma luz brilhante no meu mundo escuro Est...

Happy Birthday To Moon Bin

It's so difficult to accept what cannot be changed... I cry with you ... (Seul, 26.01.2024) Don't go tonight Stay here one more time Remind me what it's like And let's fall in love one more time I need you now by my side It tears me up when you turn me down I'm begging please, just stick around I'm sorry, don't leave me I want you here with me I know that your love is gone I can't breathe, I'm so weak I know this isn't easy Don't tell me that your love is gone That your love is gone I'm sorry, don't leave me I want you here with me I know that your love is gone I can't breathe, I'm so weak, I know this isn't easy Don't tell me that your love is gone That your love is gone Don't tell me that your love is gone That your love is gone Don't tell me that your love is gone That your love is gone That your love is gone I know this isn't easy (easy) That your love is gone Rest in Peace, Moon Bin (26.01.1998 - 1...

2023, Capítulo IV

Meu primeiro impulso para discussões virtuais, hoje e cada vez mais frequentemente, é de dar as costas e sair andando a esmo... São sempre os mesmos discursos viciados e na cultura/sociedade nada nunca realmente muda para além das superfícies - só as vestimentas mudam, as aparências, as camuflagens... Energias assumem sempre as mesmas configurações, e meu sentimento é de cansaço vizinho à necessidade de autopreservação. Então, saio, vou embora. Caminho aos tateios, em busca... São essas as minhas impressões e como me sinto observando as discussões que acontecem no espaço digital, e até no concreto muitas vezes... É isso o que me veio em um 2023 marcado por tantos conflitos que ainda são os mesmos. Na Antiguidade guerreiros armados de escudos, lanças e flechas invadiam territórios a pé, depois à cavalo, depois em carros motorizados e com suas armas tecnologicamente desenvolvidas... Matavam, pilhavam, estupravam, destruíam... Hoje exatamente o mesmo acontece e com a mesma selvageria, com...

2023, Capítulo III

E com a visão comprometida , como ficam meus planos editoriais? Bem, não me vejo aceitando trabalho como diagramadora e revisora por hora. Em encadernação penso como um passatempo com potencial terapêutico... Não sei como aconteceu, mas hoje sinto que tenho opções. Se não vou escrever e preparar publicações, posso divulgar conteúdos de outras tantas formas...  No último ano vários nomes ganharam espaço na minha vida! Eles estão contribuindo para que eu feche toda uma trajetória de estudos sem a antiga impressão de que estou me movendo entre fragmentos desconexos... Enfim, montei o quebra-cabeças da minha vida! Sem pontas soltas... Descobri Mark Fisher, o filósofo inglês, e me identifiquei totalmente... Identificação que me encanta porque acende várias luzinhas na minha mente! Fisher nasceu no mesmo ano que eu, 68. Ele escreveu seus textos com um forte lastro em suas próprias experiências pessoais, claramente e assumidamente. A novidade é que vivemos num mesmo tempo, contemporaneam...

2023, Capítulo II

2023 também foi o ano em que minhas vistas foram para o beleléu, ou seja, meus olhos enfraqueceram bastante. Não é mais questão de aumentar a lente dos óculos. Embora uma oftalmologista tenha me examinado e concluído não haver problemas com meus nervos óticos, venho usando lubrificante ocular continuamente para acalmar uma "síndrome de olhos secos".  Acordo no meio das madrugadas com os olhos doendo, ardendo e, quando isso acontece, não tolero a claridade durante o dia. Por várias vezes cheguei a passar o dia dentro de casa usando óculos escuros. Daí que a ideia de substituir livros físicos por digitais me parece completamente esdrúxula, mais do que nunca... Eis o resultado do uso contínuo de telas... E escrever também se tornou um processo mais complicado, pois qualquer coisa que eu escreva precisa passar por algumas revisões, o que atrasa tudo.  Não só minhas vistas estão fragilizadas, meus ossos também. Em maio tive uma queda feia em casa. Cai na escada e fui parar em um p...

2023, Capítulo I

Durante todo o ano de 2022 me senti na fila de um campo de extermínio... Eu havia me tornado "chefe" de uma pequena família que conta com um idoso e um doente crônico, e é isso o que governos extremistas costumam fazer: eliminam o que incomoda. Os fragilizados, claro... E note, nem digo "governo de extrema direta" ou de "extrema esquerda", pois a história mostra que radicalismo de qualquer lado é ruim, nocivo à população de modo geral. Viver sob regime reacionário é estar, o tempo todo, com uma ameaça óbvia ou velada sob a cabeça! Então, eu me sentia ameaçada e angustiada e estressada e fisicamente e mentalmente exausta... E, ao fim da apuração de resultados da eleição presidencial, me vi chorando de alívio. Eu não teria votado em Lula em um cenário político digamos "normal". Lula já fez muito por este país. Ora, perfeito ele não é. Aliás, nada nem ninguém é perfeito. Mas, seus dois governo anteriores foram tempos de paz, de confiança no presente...

Sobre o Budismo de Internet

Ainda sobre os m eus flertes com o Oriente… Em algum momento entre 2012 e 1015 alguém me convidou para um encontro com monges budistas. O evento aconteceria em um espaço próximo à avenida Liberdade, no bairro homônimo, num dia da semana, à noite. Não me lembro do nome do lugar… Mas, fui. E lá aconteceu o meu primeiro contato com a Monja Coen, hoje bem conhecida em todo o país. Gostei bastante! Fiquei bem interessada em continuar aprendendo com ela que, na época, estava vinculada a um templo no bairro do Pacaembu (e continua). E ali, na época, as atividades deviam ser pagas, e bem pagas. Compreensível que monges tenham necessidades materiais que precisam ser atendidas por meio de retribuição à transmissão de seus conhecimentos. Como poderia ser diferente? Mas, como os valores não pareciam se harmonizar com a minha condição, deixe passar. Tempos depois, Monja Coen tornou-se “influenciadora digital”. Sua conta no YouTube começou a publicar vídeos com orientações/aconselhamentos e eu costu...

Sonhos

[ Publicado originalmente em 01 de dezembro de 2013 ]  Por vários anos estive envolvida nos trabalhos da associação de moradores do meu bairro, a Associação Comunitária Girassol. A entidade tomou como objetivo desenvolver projetos culturais e esteve ativa por cerca de uma década, até que há alguns meses decidiu fazer uma pausa para avaliar os rumos dos movimentos sociais e o papel que assumiria. Desde então, muitas reflexões foram surgindo, sempre com a certeza de que aprender e ensinar são processos indissociáveis. Dia destes notei um comentário de uma ex-educanda da turma de Hip Hop da Girassol. Ela, que quando surgiu na entidade era uma menina, hoje é praticamente uma mulher e anuncia sua determinação de lutar por seu sonho: ser aeromoça. E seu anúncio me deu o que pensar... Me falou dela, da Girassol, dos movimentos sociais e falou de mim mesma... E foi envolvida pelas reflexões impulsionadas pelo anúncio da nossa futura aeromoça, que no começo desta semana, recebi minha nota d...

Flertes Com o Oriente

  Quando criança fui iluminada pelas luzes de um falso mosteiro… Residia com meus pais em um quarto e cozinha e tínhamos uma TV entre os dois cômodos. Eu tinha entre três e seis anos. Retornando do trabalho e após o jantar, meu pai se distraia com revistas em quadrinhos, jornais e as séries de TV. Entre as séries que ele assistia com frequência estava Kung Fu, com David Carradine... Conforme a Wikipedia, a história gira em torno de “Um monge Shaolin, perito em artes marciais”, que “foge da China depois que seu mestre morre. Agora, ele vagueia pelo velho oeste dos Estados Unidos, defendendo os desamparados e combatendo bandidos”… Não me lembro de detalhes. O que sempre me vêm à mente são imagens de um templo iluminado por velas, e de um ancião que aconselha um jovem com frases sábias apesar de incompreensíveis para mim naquela época… O pupilo, o monge, lembra-se de seu mestre com frequência, torna-se um guerreiro muito capaz, habilidoso nas artes marciais, porém só as empregando na ...

Tranformações

Transição de gênero dói?  Essa pergunta me surgiu como uma analogia à minha condição de fêmea sujeita às inconstâncias hormonais. Procurando me lembrar dos efeitos do início da puberdade, associando-os aos efeitos do início de menopausa, chego à conclusão: as transformações são fisicamente incômodas! Para algumas mulheres mais, para outras menos, mas sempre trazem em si aspectos incômodos, também emocionalmente e socialmente. Transições de gênero são transformações ainda mais radicais, ou não?  Não posso falar pelos outro, pois não tenho a experiência de outros. Mas, gostaria de ouvir de transgêneros relatos sobre suas transformações, sobre como se sentiram no início da adolescência, da meia idade e ou da homossexualidade.  Homens cis não falam de si publicamente. Ou raramente. E mulheres cis não falam de suas intimidades, ou quando falam frequentemente o fazem de modo velado, com floreios e disfarces cercados por muita ilusão. Menstruação, gestação, menopausa são palavra...

Apaixonar-se

Amar? Me apaixonei perdidamente por dois homens ao longo da vida. Um real, outro imaginário... O “homem real” cruzou o meu caminho em meados da década de 90. Eu funcionária de federação de futebol, ele diretor de um clube. Eu com vinte e poucos anos, ele bem mais velho. Quando o conheci, eu namorava outro, também do futebol, com quem poderia ter me casado. Meu namorado queria casar, eu sabia que não gostava dele para tanto, e surgiu um terceiro que definiu tudo. Optei pelo meu “homem real”. Dizem que mulheres jovens gostam do dinheiro dos homens mais velhos. Eu gostava era das atenções de um homem maduro e bem resolvido. Gostava da segurança de estar com alguém que conhecia o mundo e as coisas do mundo muito melhor do que eu. Para mim, era de confiança e segurança que se tratava. Ninguém, em sã consciência, entrega corpo e alma sem ambas. Com o “homem real” eu teria passado toda a minha vida, se houvesse encontrado espaço suficiente para mim na vida dele.  Dirigente de clube e empr...

Escolhas

Sim, alcançar sucesso em uma empreitada exige que se abra mão de certos interesses. Hoje, o que me interessa é cuidar da minha família e ser uma mulher da Filosofia e dos livros. Apenas! E já é muito... Tanto que não dou conta! Há muitos textos que preciso escrever. Tenho vários livros na minha cabeça, cada um aguardando suas muitas fases de produção. Há todo um horizonte em aberto para novas  pesquisas, escrita, editoração... E há muitos cuidados em andamento, com a minha casa e com as pessoas e animais que nela habitam.  Estranho como a gente muda, como as prioridades mudam... Se até pouco tempo meus olhos se voltavam para o mundo. Hoje eles se voltam para o que está ao meu redor e no meu interior. Fechei o foco. E talvez seja preciso restringi-lo ainda mais em nome da profundidade e da qualidade... Sinto, no mais fundo da alma, que quanto maior o volume de interesses menos eu consigo realizar. Quanto mais o pensamento se dispersa em meio a um milhão de informações, mais dif...

Afetos

Eu teria sido uma ótima madrasta... Jamais teria me colocado entre o homem que eu amasse e seus filhos, independentemente de quem fosse a mãe... Jamais teria permitido que aos filhos do homem que eu amasse faltassem atenção, carinho, apoio, amizade, companheirismo ou o que quer que fosse da parte do pai... Sei do que falo, então jamais teria permitido que lhes apertassem os pés os sapatos que apertaram os meus e do meu irmão...Falta de afeto adoece, não seria eu a contribuir para o adoecimento dos filhos do homem que eu amasse. Digo isso porque ando às volta com um caso de adoecimento emocional na família... Não é pouca coisa! E tem história aí... Há indícios de que é necessário haver pré-disposição para que certas doenças se desenvolvam, e há indícios de que elas podem nunca se desenvolver se não surgirem as condições propícias... Não me sinto à vontade para entrar em detalhes  a respeito... Não aqui. Não no momento.  Mas, me lembro bem das minhas aulas sobre Spinoza... O cor...