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Postagens

Conflitando

Que fique claro: na minha bolha pode haver (e há) divergências. Estar em uma bolha não implica alienar-se de conflitos. Porém, entre semelhantes as divergências são encaradas de modo respeitoso, pois os envolvidos sabem estar em estágios diferentes no caminho da evolução. Divergências tornam-se conflitos aborrecidos apenas quando acontecem entre aqueles que optam por atitudes opostas frente ao conhecimento e à evolução, ou seja, entre aqueles que estão a caminho e aqueles que decididamente não desejam caminhar. Falta de respeito implica energias desperdiçadas com estresse desnecessário. Me poupo! Ora, se não se desenvolver é uma adesão feita por livre opção, eu estou me posicionando contra o exercício dessa liberdade? Bem… Não, não estou! Que se fique estacionado se assim o desejo (ou falta) o determina – influências do meio sobre os sujeitos é outro assunto. Eu apenas opto, tão livremente quanto possível, por não conviver cotidianamente com quem não se mantém em movimento. É que quem...

Moon Bin

  Me apaixonei por ele à primeira vista, e no dia de sua morte... É, a Internet faz dessas coisa com a gente! No dia 19 de abril de 2023 a imprensa mundial anunciava que ele havia sido encontrado sem vida, em sua residência em Gangnam, Seul, Coreia do Sul... Daqui, São Paulo, eu avistava a notícia em um site qualquer... Nunca tinha ouvido falar dele, mas diante do sorriso generoso não pude não me interessar por corrigir a minha ignorância e buscar saber quem ele havia sido, o que havia feito neste mundo, o que havia acontecido com ele. Descobri um menino-homem, cuja vida transcorreu na fronteira entre a arte e a indústria cultural desde muito cedo. Ele começou a trabalhar ainda criança, como modelo, estudou artes e foi treinado para ser um ídolo do k-pop. Transformou-se no retrato da perfeição, dono de uma imagem luminosa que misturava beleza física com pureza de alma. O bom moço! Cantor, compositor, ator, apresentador de televisão, coreógrafo e, principalmente, um dançarino capaz ...

Bolhas e Personas

Quero falar sobre a minha relação com a Internet, suas redes sociais, e sobre as "pessoas" que "sigo" virtualmente. As aspas são importantes, pois tenho bem claro que há distancias entre o que eu vejo, ouço e como entendo, e alguém que  é (em algum espaço tempo) pretende transmitir, a persona criada para o mundo. São fragmentos esses sinais virtuais, que eu interpreto... Mas, não é sempre assim, também nas relações cara a cara? Às vezes mais... em outras as distâncias diminuem... Houve um tempo em que as pessoas caminhavam juntas, lado a lado numa mesma direção, para depois seguirem caminhos diferentes. Distanciando-se, perdiam-se de vista, desapareciam do campo de visão uma da outra. A Internet trouxe a possibilidade de manter à vista o que segue ao longe, ou de periodicamente se rastrear algum sinal de quem saiu da vida "concreta" do outro... E não sei dizer se isso é bom ou ruim. Muitas vezes nos mantém atados a laços que deveriam ser rompidos, ou não.....

O Modo Will de Ser

Qual a diferença entre seguir uma pessoa e ir aonde ela está? Quando me vi diante desta pergunta pela primeira vez me peguei tão surpresa quanto Will... Com aquela cara meio de espanto que o Tom Sturridge fez tão bem. Uma cara do tipo “como você pode pensar isso?!”... Eu não pensei isso, nem Will... Acho que é preciso se colocar em outra sintonia para perceber a diferença. Uma sintonia meio fora deste mundo, ou pelo menos fora do senso comum. Em algum momento alguém inventou que não se deve fazer nada sem esperar algo em troca. Em algum momento se passou a atribuir a todas as coisas uma intencionalidade e, por algum motivo, hoje sempre se pensa que a intenção é negativa. É verdade que o mundo não é “esplêndido”, que não há “matinês às quintas”, que “as pessoas fazem coisas horríveis”. Mas não é verdade que existe apenas uma forma de ver, de sentir, de agir e de reagir. Não é verdade que as pessoas só fazem coisas horríveis, que tudo é carta marcada que leva ao abismo. Não é verdade que...

Reflexão: Sobre a Associação Homo/Máquina e o Aceleracionismo

"  É insensato imaginar que toda essa vitória dos valores possa ser antibiológica : é preciso tentar explicá-la por um interesse vital pela manutenção do tipo homo , ainda que tenha de ser atingido pela preponderância do tipo fraco e dos deserdados . Talvez, se as coisas fossem de uma outra maneira, o homem não existisse mais?"  Problema. A elevação do tipo é perigosa para a sobrevivência da espécie . Por quê? As raças fortes são raças pródigas. Encontramo-nos aqui diante de um problema de economia. Nietzsche considera com uma atenção quase benévola essas tendências às quais sua razão se opõe, que são repulsivas aos seus gostos. Não lhe convém, pensa ele, negar às massas o direito de buscar suas verdades, de fundamentar suas crenças em suas necessidades vitais, de apaixonar-se por elas. Os senhores vivem dos seus trabalho [das massas], sua grandeza é suportada pela humildade delas . Privados delas, que seriam os senhores? Têm necessidade de sua presença e de sua felicidade ...

TOC

Quando eu começo a não dormir à noite é porque realmente as coisas não vão bem... Em meio à necessidade de ficar firme e seguir caminhando, há dias venho sentindo que não estou prestando atenção a mim mesma, que um buraco negro está se formando dentro de mim enquanto eu faço o possível para ignorá-lo. Então, vamos admitir! Há um buraco negro se formando dentro de mim... E hoje de madruga acordei agarrada às bordas, tentando não cair, mas me sentindo exausta de tando me esforçar para ignorar e não cair... Quando sinto que estou prestes a sucumbir, me esforço para lembrar que se eu cair o pouco de sanidade que me cerca cai junto... Respiro fundo e continuo em pé. Até quando eu vou aguentar?  Ninguém da minha família pegou covid-19. Mas, não passamos incólume pela pandemia. Um familiar desenvolveu TOC, o transtorno obsessivo compulsivo. Na verdade, os primeiros sintomas apareceram após o falecimento da minha tia, irmã mais velha da minha mãe, que se foi após 3 anos morando em nossa ca...

Pós-Pandêmico

[Postado originalmente no meu antigo blog Claro Escuro.] Ao longo dos últimos 15 anos, seguindo impulsos de momento, abri vários blogs... Eles, um a um foram sendo abandonados à medida que se mostravam inviáveis, geralmente por falta de tempo... Minha mente é uma usina de ideias que frequentemente não chegam a se desenvolver muito, pois os dias, irremediavelmente, continuam com apenas 24 horas... É preciso fazer escolhas e eu, como a maior parte dos mortais, acabo optando pelo mais urgente e essencial à sobrevivência. E acabo sempre voltando a este blog, o Claro Escuro, o sobrevivente, por questão de sobrevivência. Difícil seguir na vida sem condições mínimas de sanidade mental. Refletir sobre mim comigo significa manter tais condições. Escrever ajuda. Escrever aqui, às vezes, é simples e prático, pois "está na mão"... E quando não está, não escrevo. Os últimos anos foram de planos frustrados ou adiados em nome da tal... Sobrevivência! Estive ocupada demais tentando manter a ...

Projetos em Andamento e Outros Adiados

Muito a dizer sobre livros... Sobre os que li nos últimos dias, os que estão na fila de próximas leituras, sobre aqueles que eu mesma estou escrevendo, produzindo... E sobre a última bienal, sobre as transformações impulsionadas pelas tecnologias e em consequência da pandemia... Muito o que dizer, pouco tempo para escrever aqui... De mais urgente... O meu Super Homem Para o Além do Transumano continua aguardando divulgação. Terminamos o   Revoluções Traídas  do meu amigo Paulo. Finalmente já pode ser vendido! Combinando perfeccionismo  e insegurança, o escritor que teimava em escrever e reescrever ao infinito quase me deixou maluca! Uma tortura! Era um tal de diagramar e readiagramar que estava me dando desespero... Mas, como disse ele, conseguimos resolver tudo como pessoas adultas e responsáveis. Tanto que terminamos o volume I e decidimos embarcar juntos na produção do volume II.  Assim, Revoluções Traídas, v olume II, está em processo de edição. Estou tra...

Aventura incômoda

Entrei em uma aventura incômoda…  Desde que os influenciadores das políticas de extrema direita passaram a ganhar espaço no Brasil, venho me perguntando qual a lógica que dá sustentação ao que essas pessoas pensam… Recentemente, me dispus a ler as obras indicadas por eles na tentativa de entender. Ora, me sinto preparada para enfrentar textos “perigosos” sem me deixar contaminar por eles. Afinal, minha formação foi toda voltada para a análise de textos.  E lá fui eu, de início ler aquele que os direitistas brasileiros consideram como o maior gênio de todos, o "inigualável" Olavo de Carvalho... E não demorei a identificar alguns dos autores que o próprio Olavo considerava como seus preferidos, e que indicava aos seus alunos dos cursos que ele ministrava via Internet, como Edmund Burke, Roger Scruton, Theodore Dalrymple… Estou lendo o que esses senhores escreveram… Mas, o que eu vejo até o momento é que não se trata de uma lógica pura, digamos assim. O que sustenta o modo de pe...

Exposição

Sempre fui avessa à exposição de Internet. No meu entender, o que deve circular são as ideias e não os egos inflados. Houve um tempo, nos primeiros anos de Internet comercial, em que era possível participar de longas discussões de ideias em fóruns virtuais. Tempo dos nicknames e dos avatares . Ninguém sabia quem era o outro, e não importava. Tempo de ICQ, que culminou om o surgimento da Wikipedia, do Wikileaks, do Linux, das discussões transumanistas… Depois vieram o MSN, as ações de mídia digital, e o pesadelo começou... E foi se aperfeiçoando! Muito triste ler sobre como a influência nefasta das ações de mídia causou a decadência da qualidade da crítica cultural, por exemplo. Em meio ao vale tudo por um like , por uma visualização, a qualidade só foi caindo. O que temos hoje é um pesadelo aperfeiçoado, em que ególatras sequer se dão conta de que o são… Fato é que a minha aversão por egos inflados e exposição acaba por afetar a divulgação de qualquer coisa que eu venha a fazer e que ...

Psicologizando

[O texto se refere ao Claro Escuro, meu antigo blog pessoal.] Este blog esteve inacessível por alguns dias porque eu estava tentando entrar em um acordo com o Google AdSense, para conseguir recursos que custeassem o meu Transhumanizando ... Que maravilha seria passar os dias escrevendo e com recursos garantidos, não? Mas, não vai rolar... Que pena para o Google AdSense! (rs) Eu não conseguiria me submeter à política de propaganda do Google nem querendo muito. Primeiro porque tenho mais contas no Google do que consigo me lembrar (e eles exigem que se tenha apenas uma única); segundo, se a ordem é garantir tráfego alto para DEPOIS passar a contar com publicidade no blog, para mim não dá... O que viraliza no Brasil é canal de autoajuda, fakenews da gadolândia bolsonarista, escândalos de dançarinas de funk, boatos sobre a vida de "celebridades"... Como não vou empenhar meu tempo com nada disso, o tráfego  não pode ser estabelecido de uma hora para outra. É algo para se construir...

"São Fáceis Porque São Pobres"

"Nossa, Helena, que falta se sensibilidade evocar Voltaire numa hora dessas! Como assim, cuidar do próprio jardim? Fica parecendo que você não se importa com a guerra!" Bem, eu me importo com TODAS as guerras. E quando foi que não se teve um conflito armado em andamento, mesmo? Também me importo com a seletividade... Por quê uma guerra merece mais holofotes do que outra? Por quê a imprensa precisa de uma nova pauta-bomba para substituir o desgastado tema covid?! Me incomoda, imensamente, a manipulação midiática da atenção das pessoas e como ela molda e confunde as subjetividades... Mas, isso é novidade?  Cada vez que alguém contrata uma ação de marketing não é isso o que se faz? Alguém já ouvir falar de algo como "propaganda crítica"?! Imagine uma campanha de marketing que diga "olha, esse produto tem a vantagem a, b, c, d... Mas também tem a desvantagem x, y, z"... Não existe!  Porém, jornalismo e marketing são mais próximos do que se pensa, ou do que se ...

Express Yourself

Universidades são espaços em que se adquirem e se desenvolvem conhecimentos. Ao deixá-las, chega a hora de decidir o que fazer com o que foi aprendido. Agora conto com aval universitário para me empregar como professora de cursos superiores, porém resisto à ideia de ser funcionária fixa de qualquer instituição. Fato: não sou a pessoa mais sociável do mundo, pelo contrário. Como escrevi ainda ontem, preciso estar em estreita sintonia comigo mesma e, quando imersa no burburinho do mundo, me perco. Ser professora de cursos curtos, ocasionais, me interessa mais! Posso lidar temporariamente. Então, os modos MEI e terceirização me convêm. O que sinto combinar comigo perfeitamente é a pesquisa, a escrita, a tradução, a editoração. Ser escritora de livros, trabalhar com jornalismo cultural, ser produtora de mídia impressa e digital, aí sim! Escrevi um livro... Chama-se " O Super-Homem Para o Além do Transumano " (em outra postagem falarei sobre ele)... Pesquisei ao longo de três anos...

Tédio

Escrevo neste blog apenas quando me perco e preciso fazer contato comigo… Sempre me perco quando olho para fora de mim por muito tempo. Nos dias que correm as noções de tempo estão confusas… “Muito tempo”, na verdade pode significar poucas horas de exposição a fluxos intensos e rápidos de informação. O que piora tudo é que a qualidade das comunicações em circulação nos espaços públicos é muito, muito, muuuuito... Ruim! Sempre volta à minha mente uma fala de Nietzsche: “claustros serão novamente necessários”… Como o niilismo se renova na história por ciclos, há momentos em que, para preservar a cultura, é importante recolher-se aos "claustros", como fizeram os monges da Idade Média em meio às invasões bárbaras… Hoje há novamente “barbaridades” por todos os lados e tudo o que eu quero é conseguir ficar quieta no meu canto, lendo, aprendendo, escrevendo, criando… Paz na alma! O burburinho dos bárbaros representa sempre um tremendo atraso na evolução de corpos e mentes. Hoje, no ...

De Volta ao Confessionário

Comecei a falar sobre mulheres e fiz referência à sororidade como desdobramento de minhas lembranças sobre relacionamentos antigos. Sim, confesso, quando muito jovem me apaixonei por um homem bem mais velho, casado e pai. Na época, fui incapaz de lutar por mais tempo e espaço em sua vida. Usurpar parte do pouco tempo que ele poderia dispor para conviver com os filhos? Não pude... Não podia correr o risco de provocar naquela família os mesmos danos que foram provocados na minha. Eu sabia o que era um pai ausente e uma mãe inconformada... E como não ter zelo pela vida dos filhos do homem que eu amava? Como não gostar dos filhos que eram parte dele? Hoje compreendo mais claramente o que antes apenas pressentia vagamente: mulheres, mesmo nas situações mais desagradáveis, podem desenvolver relações de cooperação e fraternidade. Luana Piovani e Cintia Dicker dão um exemplo lindo! E que pena não ter sido assim entre minha mãe e minha madrasta. E não foi até porque os tempos eram outros... Não...

Cansei de Ser "Cinderela"

 A conversa da Angélica com a Grazi, publicada dias atrás, tem tudo  ver com o que escrevi na minha postagem anterior. Mulheres na nossa geração, minha e delas, eram criadas acreditando no papel da princesinha que precisava ser legitimada pela aparição do príncipe encantado, que surgiria montado no cavalo branco para a salvar a "cinderela" de sua vidinha miserável... E transformá-la na grande dama do seu castelo!   "Príncipes", normalmente, são sapos que usam as princesinha (se não o fazem de uma forma, o fazem de outra), enquanto elas almejam a beatitude da versão romântica do "amor eterno". Simplesmente tornar-se consciente desse engodo é um processo que pode demorar toda uma vida, ou nunca acontecer. E quanto a consciência começa a acenar na esquina o dramalhão começa, porque há um apego ao antigo papel, misturado com o não saber como lidar com o vácuo deixado por crenças secretas antigas a serem abandonadas com muita dificuldade.  É verdade que a exigê...

2021

O segundo ano de uma tragédia anunciada... Nunca o Brasil perdeu tantas vidas em consequência de uma crise de saúde e política, e ética... Tenho me sentido impotente para escrever sobre o Brasil de hoje, pois sinto falta de palavras que expressem a intensidade da minha indignação, principalmente, com um bando de políticos sentados encima de 150 pedidos de impeachment enquanto brasileiros passam fome e o país agoniza... No ápice dos fatos e emoções nenhuma palavra dá conta e, francamente, me sinto exausta.  2021 também foi o  ano em que descobri os desconfortos da diabetes e de uma hérnia de disco, que se somam a uma enxaqueca nervosa crônica. E vendo tanta gente de cabelos brancos comecei a entender tinta de cabelo como a coisa mais banal do planeta. Então, me sinto como uma velhinha dolorida e sem disfarces. E tem algo de libertador nisso. Que bom não mais me sentir na obrigação de interpretar papéis que não me cabem! Quando jovem eu achava, mesmo, que o mundo poderia ser tra...

As Linhas Tortas

Sinto saudades da cobertura da USJT… No meu último ano normal de curso, há exatos dez anos, eu costumava me isolar naquelas alturas, de onde observava os arredores e a distância... Minhas lembranças daquele lugar merecem passar por uma purificação. O que houve de bom não deve permanecer soterrado por ocorrências ruins. Afinal, não posso dizer que não realizei sonhos e que os realizei naquele prédio. Sonhos que, inclusive, permitem realizar outros. Minha intenção sempre foi adquirir conhecimentos que me permitissem escrever textos informativos, análises bem fundamentadas. Nunca quis escrever banalidades. 14 de Outubro de 2021 é a data de publicação do meu primeiro livro, “O Super-Homem Para o Além do Transumano” (por enquanto disponível apenas em versão digital na Amazon). É minha dissertação de Mestrado com alterações. Trata da relação da ética nietzschiana com o transumanismo, movimento filosófico que defende o aperfeiçoamento da espécie humana pela aplicação do conhecimento tecnocien...

Dor

Ao escrever, sempre menciono Nietzsche aqui e ali. Sem dúvida, li mais os seus textos e, nos últimos anos, estive mais envolvida com reflexões acerca de seu pensamento. Porém, na verdade, não posso afirmar que ele seja meu filósofo preferido. Nietzsche divide esse posto com Spinoza. Estudei Spinoza no primeiro semestre de 2010. Confesso que não me lembro dos detalhes do que aprendi na época. Me lembro do essencial e do impacto que exerceu sobre mim. Tudo começou quando ouvi a frase “o corpo é memorioso”. Significa que tudo o que é vivido não é guardado apenas pela mente e sim pela totalidade do corpo físico. Entendo que o corpo, sendo uma configuração de energias, também é um complexo físico-químico que converte energias em um sistema formado por órgãos que se relacionam entre si. Tudo o que o corpo vive, imerso no meio ambiente e no contexto social, o impacta em sua totalidade e o transforma. Daí que o passado está presente no corpo hoje.  Assim, eu sou, hoje e sempre, a soma de t...

Sobre a Crise da Universidade Pública

  Em algum lugar tenho guardado um livro didático de Filosofia, edição antiga que tem uma tirinha sobre a adolescência… Sobre o tema a autora diz que adolescência é a fase em que a criança, deixando de ser criança, começa a explorar o mundo, para além do grupo familiar e do ambiente escolar, e passa a reclamar seu direito de viver de acordo com a própria vontade. O adolescente quer ser independente! Mas, é um independente que ainda vive na casa dos pais e da mesada dos pais. Tal situação me lembra a universidade pública brasileira. Se diz autônoma, mas ocupa espaços públicos e depende totalmente de recursos públicos. O adolescente tem dois caminhos possíveis: se submeter à vontade dos pais e ir prolongando a permanência na adolescência indefinidamente; ou emancipar-se por meio dos estudos e do próprio trabalho. Em ambos os casos, o normal é que não hajam rupturas radicais e que se entre em algum acordo de convivência, pois geralmente há muito amor envolvido. No caso da universidade...